Newsletter ECD #260
Newsletter Quinzenal da ECD Training - escrita por Marcos Tanaka Riyis
Olá a todas e todos
Muito obrigado por se inscreverem, lerem e acompanharem a nossa Newsletter quinzenal.
Essa é a Edição #260, a nona de 2026, enviada em 10/05/2026, após 2 semanas de intervalo, ao invés de uma, como seria o usual.
Agradeço por vocês estarem conosco por aqui nesta Newsletter, que pretende trazer comentários mais elaborados sobre temas do GAC (técnicos e “de mercado”), e temas “além-GAC”, como ambientalismo, economia, ciência e outros. Espero que possamos contribuir para uma melhora na vida de vocês. Ficamos muito felizes por vocês lerem nossas opiniões e a nossa curadoria nesta Newsletter. Essa troca faz a gente se sentir importante, relevante e, especialmente, vivos!!!
Então, bem-vindas e bem-vindos à Newsletter ECD!!!!
Essa Newsletter, como vocês que me leem há quase 6 anos já sabem, é escrita e enviada por e-mail por mim mesmo (totalmente “old school”), tentando escrever com o carinho e a atenção que vocês merecem as minhas opiniões e comentários sobre as notícias, dicas e sugestões. Assim temos feito.
Se alguém quiser compartilhar a nossa Newsletter com alguém, o link para preenchimento do formulário de inscrição gratuita está abaixo:
https://forms.gle/wJoFfUzv9vSkw19g7 .
Recentemente começamos a publicar a Newsletter também no Substack. Nos acompanhe também nessa plataforma, que armazenará as Newsletters e também os Podcasts. Mais um canal de divulgação científica do GAC oferecido pelos Estúdios ECD
Nessa última quinzena, tivemos a grande alegria de receber 2 novas inscrições aqui. São, atualmente, 986 assinantes nessa Newsletter, estamos chegando em 1000!!!! Então, sejam bem-vindos Vinícius e Bruno!!! Já são quase 1000 pessoas que muito nos orgulham por ceder um pouco do seu tempo, da sua atenção, para ver a curadoria que fazemos das notícias mais importantes da quinzena e os nossos comentários sobre os temas mais relevantes da atualidade. Isso é muita gente!!!!! Em nome da família ECD, agradeço demais a companhia de vocês, que nos dão a força que precisamos para fazer esse trabalho.
Na semana anterior, foi ao ar o Episódio #265 do Podcast Áreas Contaminadas, mais um episódio daqueles mais curtos, direto ao ponto, com minhas opiniões sobre um tema específico do GAC. Desta vez, eu trouxe uma discussão sobre o fator de atenuação genérico de 0,03 para intrusão de vapores. A motivação para esse episódio e para essa discussão é uma postagem feita pelo Paulo Negrão no LinkedIn, e que repercutimos aqui na Newsletter, a partir de um workshop muito interessante que ele participou na Conferência anual sobre intrusão de vapores da AEHS em San Diego, dizendo que não é defensável cientificamente termos um fator de atenuação genérico, o famoso alfa de 0,03 para a intrusão de vapores. O episódio busca explicar um pouco como acontece e como avaliamos a intrusão de vapores, os modelos clássicos de partição e transporte de vapores na zona saturada e de entrada desses vapores em edificações, como sabemos qual é o limite de concentração no ar ambiente para que não haja riscos acima dos limites aceitáveis, e também quais as incertezas das amostras, análises e interpretações do ar do solo e ar ambiental. Na parte final, falamos sobre o que é o tal fator de atenuação, a origem do fator genérico, de onde veio esse valor, as propostas de mudanças e as ideias trazidas pelo Paulo para uma discussão geral sobre o entrelaçamento desses temas com o GAC brasileiro. Espero que vocês gostem.
Links importantes:
OSWER (2015): https://www.epa.gov/sites/default/files/2015-09/documents/oswer-vapor-intrusion-technical-guide-final.pdf
Documento-base da EPA para definir o fator de atenuação genérico (2012): https://nepis.epa.gov/Exe/ZyPDF.cgi/P100E1AE.PDF?Dockey=P100E1AE.PDF
Tabelas do RSL da EPA: https://www.epa.gov/risk/regional-screening-levels-rsls-generic-tables
Episódio no Substack: https://ecdambiental.substack.com/p/episodio-265-fator-de-atenuacao
Episódio no YouTube:
Episódio no Spotify:
Recebi, depois do episódio, algumas mensagens com comentários interessantes sobre a questão do fator de atenuação. Um ponto, que não havia sido abordado “ipsis litteris” no episódio e é realmente muito importante veio de uma amiga ouvinte, que disse, basicamente, que não acha correto considerar qualquer fator de atenuação em residências fora do imóvel que causou a contaminação se essas residências estiverem com uma pluma de vapor no ar do solo. Concordo com ela, sem dúvida, afinal, não se tem controle sobre o que essas pessoas vão fazer em suas casas, de modo que, na opinião dela, com a qual eu concordo, o limite para ar ambiente, deve ser aplicado para amostras coletadas no ar do solo, e se a concentração no ar do solo estiver acima do limite usando fator de atenuação = 1 (ou seja, não atenua), deve-se fazer uma intervenção. Quem tiver mais opiniões a respeito, é só avisar.
Na semana passada, foi ao ar o Episódio #266, onde conversei com Guilherme Bechara. Guilherme é um dos “Dinossauros do GAC”, porque começou na nossa área antes mesmo de existir o termo Gerenciamento de Áreas Contaminadas. Ele é mais um que se apaixonou pela Geologia a partir de uma viagem às cavernas do PETAR durante seu Ensino Fundamental, entrou na graduação na USP no meio dos anos 90, quando havia um refluxo das regulações, do papel do Estado na economia e da industrialização no Brasil, fazendo com que não houvessem muitos empregos na 2.a metade da década, particularmente nas posições mais desejadas pelos geólogos: mineração e petróleo, enquanto surgia uma “nova área”: a Geologia Ambiental, que viria a ser chamada de GAC. A esses fatores estruturais, um caso fortuito o apresentou à nova área: um Simpósio em 1996 onde haveria uma palestra para apresentar a parceria CETESB/GTZ que, em 1999, publicaria o Manual do GAC. Ali, Guilherme se apaixona pela nossa área, consegue entrar em um estágio em uma das poucas empresas existentes à época, a CSD/Geoklock (atual EBP) e se torna um dos personagens mais relevantes do nosso mercado nos últimos quase 30 anos. Foram muitos poços com bidim, amostragem de solo no trado com avaliação com Gastech no saquinho, bailers, potenciométricos e levantamentos de entorno feitos à mão, ligações com ficha telefônica, inúmeros perrengues incluindo alguns tiroteios e também muitas remediações complexas, projetos grandiosos, investigações de altíssima resolução, e muito, muito trabalho duro, dando muita contribuição em debates, conversas, fortalecimento de instituições como órgãos ambientais, associações, e especialmente na ABNT. Uma passagem muito interessante minha com ele foi na Revisão da NBR 15492, a qual eu era o relator e tive realmente muita dificuldade em contornar alguns interesses que estavam se contrapondo à revisão, como já contei em outros episódios. Minha falta de habilidade quase coloca tudo a perder e hoje não teríamos norma revisada que, na minha opinião, altera o patamar da amostragem de solo no GAC brasileiro. Foi aí que Guilherme entrou na jogada, como sub-relator no papel, mas como relator na prática, conduziu os trabalhos e fechou a norma, negociando com os interesses que estavam dificultando a aprovação de modo a deixar a norma com o espírito inicial contornando as dificuldades, em uma demonstração da sua enorme habilidade técnica e maior ainda habilidade de negociação, de convencimento, certamente refletindo a sua excelente formação humanista, que remete ao Ensino Fundamental e Médio na Escola de Aplicação da USP, a origem de tudo. Eu em nome de todo o mercado e em meu próprio nome agradeço demais ao Guilherme por todo o seu trabalho, inclusive na ABNT. Vocês também, com certeza, vão gostar de ouvir esse episódio com mais um dos dinossauros do GAC.
Episódio no Substack: https://ecdambiental.substack.com/p/episodio-266-guilherme-bechara
Episódio no YouTube:
Episódio no Spotify:
Semana que vem traremos outro episódio de entrevista, desta vez com Vitor Ponce, que retorna ao nosso podcast não para contar a sua trajetória, que já vimos no episódio #189, mas para falar da Technology One, uma empresa da qual ele é sócio e está oferecendo soluções tecnológicas para o mercado de GAC, especificamente tentando fazer o dado sair do campo já preparado para o uso, sem anotações a mão, papel, transferência, enfim, reduzindo aquela enorme possibilidade de erros no processo com o uso dos aplicativos que eles estão oferecendo, o Brown (solo) e o Blue (água). Foi uma conversa muito legal, vocês, com certeza, vão gostar. Não percam!!!!
Enquanto esperam, recomendo que matem a saudade dos episódios anteriores. Ouçam, por exemplo, a playlist da Série Especial GAC para Hidrocarbonetos no link:
Também a Playlist dos episódios técnicos:
Aqui a playlist dos dinossauros do GAC:
Ouça outros episódios do Podcast Áreas Contaminadas no Spotify:
Veja também nossa página no Substack, leia por lá nossos textos e Newsletters antigas, ouça nossos podcasts e assine gratuitamente:
O Nosso Podcast Áreas Contaminadas tem o patrocínio Master da Clean Environment Brasil (www.clean.com.br), e o Patrocínio Ouro do VSOL Group (https://vsolgroup.com/home/).
Neste ano de 2026, começamos com um novo projeto, de termos aqui na Newsletter alguns colunistas fixos, outros esporádicos, que escreverão para nós um texto de autoria própria a cada duas edições, ou seja, a cada edição, teremos uma ou duas colunas para compartilhar de Allan Umberto, Diego Silva, Jane Flor ou André Souza a quem agradeço muito pela ajuda para toda a nossa comunidade!!!
Começamos na Edição #253, com um texto muito bonito do Allan sobre suas andanças na Paraíba. Aí, tivemos na edição #254, um texto do Diego e um da Jane ambos um pouco mais técnicos, ligados ao GAC. Na Edição #255, Allan retornou falando sobre saúde mental no GAC, na #256 tivemos um texto muito interessante do Diego falando sobre João de Camargo, com muito significado para a luta do povo negro ex-escravizado e um texto da Renata Machado Lima, uma colunista esporádica, falando sobre a série da Netflix “Filhos do Chumbo”, na edição #257, tivemos a estreia de André Souza, falando sobre como está o estágio atual do GAC na China, e um texto bastante técnico do Diego, falando da taxa de decaimento de primeira ordem na Atenuação Natural Monitorada, na edição #258 tivemos um novo texto técnico do Allan, falando sobre os testes de traçadores, finalmente, na edição #259, trouxemos outro texto excelente do Diego Silva sobre sua jornada com a Meditação, e o retorno do André Souza, com um texto técnico sobre o uso inadequado do SVE na mitigação dos riscos de Intrusão de Vapores. Na Edição de hoje, temos um novo excelente texto do Allan, retomando um trabalho dele de 2007, sobre o olhar da Geografia sobre o GAC a partir do trabalho do Milton Santos, e outro texto muito bacana do Diego, falando da história interessantíssima do DJ Patife, e sua busca pelo propósito de vida, que diz muito sobre o momento de muita gente no GAC.
Enfim, vamos ver se conseguimos fazer uma espécie de “Revista do GAC” aqui na Newsletter.
Se alguém de vocês também quiser ser um colunista, fixo ou mesmo esporádico, é só me avisar que acertaremos os detalhes para isso.
Vamos às colunas especiais da Edição de hoje
O papel social do gerenciamento de áreas contaminadas na proteção e inclusão de populações de baixa renda
Allan Umberto
O gerenciamento de áreas contaminadas desempenha um papel social fundamental, onde desigualdades socioeconômicas históricas influenciam a forma de ocupação do território. Populações de baixa renda são, com frequência, mais expostas a riscos socioambientais, seja pela ocupação de áreas degradadas, seja pela proximidade com atividades potencialmente poluidoras. Nesse contexto, o gerenciamento de áreas contaminadas configura-se como um importante instrumento de proteção da saúde, promoção da justiça ambiental e inclusão social.
Um dos principais benefícios sociais do gerenciamento de áreas contaminadas para pessoas de baixa renda está relacionado à proteção da saúde pública. Comunidades vulneráveis muitas vezes residem em áreas com solo e água subterrânea contaminados, resultantes de antigas atividades industriais, depósitos/aterro de resíduos, postos de combustíveis ou ocupações irregulares. A ausência de ações estruturadas pode levar à exposição crônica a contaminantes, aumentando a incidência de doenças graves. Ao identificar, avaliar e controlar esses riscos, o gerenciamento de áreas contaminadas reduz a exposição da população a agentes nocivos, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida e para a redução dos custos sociais associados às enfermidades.
No Brasil, observa-se que os passivos ambientais tendem a concentrar-se em territórios ocupados por populações de menor renda, que dispõem de menos recursos políticos, econômicos e institucionais para reivindicar soluções. Ao exigir a responsabilização do poluidor e a adoção de medidas de controle e reabilitação, o gerenciamento de áreas contaminadas contribui para romper a lógica de que os impactos ambientais podem ser socialmente distribuídos de forma desigual. Dessa maneira, cria-se um mecanismo de proteção dos direitos dessas populações, evitando que continuem arcando com danos que não produziram.
O Geógrafo Milton Santos no livro “A Natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção (1996)” analisa a produção do espaço, na qual destaca-se que o território é um “espaço usado”, resultado das ações desiguais de diferentes agentes sociais. Segundo o autor, a lógica do capital tende a produzir um território fragmentado, no qual os grupos socialmente mais vulneráveis são empurrados para áreas com menor valor econômico e maior concentração de riscos ambientais. Áreas contaminadas, antigas zonas industriais e terrenos degradados inserem-se diretamente nessa lógica, tornando-se espaços de reprodução das desigualdades socioespaciais.
Outro aspecto social relevante é a requalificação urbana e o acesso à moradia segura e digna. Muitas áreas contaminadas se localizam em regiões urbanas bem servidas de infraestrutura, mas permanecem degradadas ou subutilizadas devido à presença de contaminação. A reabilitação dessas áreas para usos compatíveis permite a reintegração do solo urbano ao tecido da cidade, abrindo possibilidades para projetos de habitação de interesse social, equipamentos públicos e áreas de lazer. Assim, o gerenciamento de áreas contaminadas pode contribuir para ampliar o acesso da população de baixa renda a espaços urbanos mais seguros, bem localizados e dignos, evitando a expansão periférica e a ocupação de áreas ambientalmente frágeis.
O gerenciamento também favorece a regularização fundiária e a segurança jurídica de comunidades vulneráveis. Em muitos casos, a existência de contaminação impede a regularização de assentamentos informais, perpetuando a exclusão social e o acesso precário a serviços públicos. Com a avaliação adequada dos riscos e a adoção de medidas de controle, torna-se possível compatibilizar a permanência das comunidades com níveis aceitáveis de risco, permitindo a implementação de políticas públicas de regularização, urbanização e fornecimento de infraestrutura básica.
A participação social e a comunicação de riscos são outros elementos essenciais para que o gerenciamento de áreas contaminadas beneficie efetivamente as populações de baixa renda. Processos transparentes, com linguagem acessível e envolvimento das comunidades desde as etapas iniciais, fortalecem a autonomia social e reduzem assimetrias de informação. Quando a população compreende os riscos existentes e as medidas adotadas para controlá-los, aumenta-se a confiança nas instituições e a legitimidade das decisões técnicas, evitando conflitos e fortalecendo a governança ambiental local.
Além disso, o gerenciamento de áreas contaminadas pode gerar impactos socioeconômicos positivos, como a dinamização da economia local e a geração de empregos associados às atividades de investigação, remediação e reurbanização. Embora esses benefícios não substituam políticas sociais estruturais, eles contribuem para a revitalização de territórios historicamente marginalizados, criando oportunidades de desenvolvimento mais inclusivo.
Portanto, o gerenciamento de áreas contaminadas, quando orientado por princípios de equidade, participação e responsabilidade ambiental, constitui um poderoso instrumento de inclusão social e pode ser compreendido como uma prática de reapropriação social do território. Ao proteger a saúde pública, reduzir riscos ambientais, promover a justiça ambiental e socioespacial, viabiliza o uso seguro do espaço urbano e fortalece o direito à cidade, esse processo contribui diretamente para a melhoria das condições de vida das populações de baixa renda e para a construção de novos usos do território mais alinhados às necessidades sociais. Dessa forma, o gerenciamento de áreas contaminadas deixa de ser apenas uma exigência técnica ou legal e passa a ser reconhecido como uma política pública de profundo alcance social, essencial para a construção de um território mais solidário, inclusivo e orientado pelo bem comum.
Referências:
SANTOS, Mílton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec. 1996.
SILVA, Allan Umberto Nascimento. A desigualdade ambiental e social no município de Mauá - Qual a visão da geografia?. 2007.
Belíssimo texto do Allan, como sempre. Ressalto que, como ele diz muito bem, a reaproprição do território deve ser, realmente, um objetivo a ser perseguido e uma das essências do GAC, temos que lutar por isso. Mas não “da boca para fora”, como fazem muitos atores do GAC, que consideram a construção de prédios para obtenção de lucro como o cumprimento desse objetivo. Reapropriação do território, como escreve Milton Santos em seus livros e como o Allan também sempre diz, é muito mais que isso, é levar dignidade a quem sofre injustiças e opressões de muitos lados, inclusive o ambiental. Nosso objetivo, no GAC, não pode ser somente reabilitar a área para uma incorporadora obter seu lucro e fazer com que parte desse lucro seja destinada ao mercado do GAC, mas sim, verdadeiramente, cumprir a nossa função social, nesse exemplo, a reapropriação do território pelas pessoas.
DJ Patife
Diego Jorge da Silva
Há alguns dias surgiu uma dúvida: por onde anda DJ Patife? Provavelmente esse nome não trará nenhuma lembrança para praticamente ninguém que esteja lendo a newsletter, com exceção do meu amigo Sérgio Rocha. Mas a resposta que encontrei foi tão inesperada que decidi compartilhar aqui.
DJ Patife é o nome artístico de Wagner Ribeiro de Souza, paulistano e um dos principais representantes, a nível mundial, de um estilo de música eletrônica mais underground chamado drum’n’bass (D&B), junto com DJ Marky, outro paulistano. No início dos anos 2000 os dois misturaram D&B com Bossa Nova, e saíram algumas músicas famosas como “Só Tinha Que Ser Com Você” e “Sambassim”, com Fernanda Porto (
e
e “LK”, um remix de “Carolina Carol Bela” do Jorge Ben e Toquinho (
).
Não lembro como conheci o DJ Patife, mas me tornei muito fã e tinha todos os três discos lançados, lançados entre 2000 e 2006. Escutei muito, mas por algum motivo deixei de acompanhar sua carreira. E não vi mais nenhum disco sendo lançado desde então…
De vez em quando assistia algumas gravações de shows dele no Brasil e em vários países, como Inglaterra, Portugal e República Tcheca. Sabia também que ele morou um tempo em Brasília e em Portugal…
Há alguns dias decidi dar uma olhada em seu canal do YouTube (https://www.youtube.com/@DeeJayPatife). Vi um vídeo intitulado “Por Que Escolhi Ser Motorista? Para Que? E o Que Ganho Com Isso? | DJ Patife Na Estrada 016” (
), e tive um choque… Ele se tornou motorista de caminhão na Europa!!
Fiz mais pesquisas e encontrei uma reportagem com o título “Uma estrela na contramão: DJ Patife conta como encontrou a felicidade dirigindo um caminhão pela Europa” (https://musicnonstop.uol.com.br/dj-patife-caminhoneiro/). O autor da reportagem, Jota Wagner, começa o texto dizendo que a maioria das pessoas poderia pensar que a história que ele contaria seria o “clichê da efêmera vida artística: a que dura pouco e que obriga um ‘ex-artista’ a viver tristemente para pagar as contas, de volta ao ‘mundo dos comuns’, tendo de obrigar-se a um emprego chato”. Obviamente, esse não era o caso.
De acordo com o autor, a conversa com o DJ Patife, que hoje mora em Algarve, Portugal, trouxe uma das mais reveladoras e emocionantes reportagens que ele já fez: “uma história de amor, de realização pessoal e, principalmente, de equilíbrio”.
Só em 2023, ano da entrevista, ele havia tocado em países como Panamá, Colômbia, Brasil e Sérvia. E só não fez mais shows porque precisou colocar um freio em sua agência, para que as viagens musicais não atrapalhassem as suas viagens de caminhão. Ele tinha planos de parar uns 40 dias por ano para conseguir atender os pedidos de shows.
DJ Patife conta que muitos jornalistas perguntavam “se você não fosse DJ, seria o quê?”. E a resposta já estava pronta: caminhoneiro. Essa vontade nasceu ainda quando era criança, quanto tinha cinco ou seis anos e fez uma viagem com seu pai. Desde então ele tinha um plano de tirar carteira de motorista na categoria B, para motoristas profissionais. Mas, aos 21, já havia se mudado para a Inglaterra para tocar, e o plano inicial ficou em segundo plano.
Ele comenta que, em geral, as pessoas acham que o ramo da música é sempre brilho, glamour e glória, mas existem muitos perrengues. Por exemplo, ele conta que tem muitos problemas com alfândegas e imigrações: “Por causa dos meus traços, sei lá, uns acham que eu sou terrorista, outros, que sou traficante. Tem muita coisa que, quando você faz quatro ou cinco vezes por semana, vai enchendo muito o saco. Eu me sinto feliz por ter dado uma desacelerada. O sobe e desce, um quarto diferente a cada dia, uma comida diferente toda hora, não estar com as pessoas que você ama...”.
Até 2020 ele continuava com sua agenda lotada de shows, mas com a chegada da pandemia e o lockdown, os eventos foram cancelados, e ele foi obrigado a ficar em casa, assim como todos nós. Em uma outra entrevista (https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/dj-patife-explica-decisao-de-virar-caminhoneiro-apos-decadas-de-sucesso), ele conta que estava preso em casa em 2020, assistindo o canal do YouTube de um caminhoneiro, quando seu filho disse: “Você ainda pode ser motorista”. E ele podia mesmo! E ele percebeu que na Europa existia uma demanda enorme para esse tipo de profissional.
Depois de um ano e meio de preparação, treinamentos e burocracia, conseguiu atingir o objetivo! Ele diz: “É uma sensação de realização muito grande. É um ganho de loteria. É a vida estar valendo a pena novamente. Eu me sinto com 15 anos de novo, como se estivesse fazendo algo pela primeira vez. É um sentimento de estar vivo tão grande, que para pôr em palavras, é muito difícil”.
Assim como tudo na vida, essa nova vida também tem dificuldades: “Como essas pessoas são tratadas mal, Jota. O caminhoneiro, o pessoal da faxina, o pedreiro, o povo que constrói o mundo, que leva e traz, que deixa limpo. São tão subestimados”.
Fui comentar com meu amigo Sérgio, frequentador assíduo dos shows do DJ Marky em São Paulo, e ele me disse que, quando soube dessa história, achou que era fake news!
Confesso que fiquei maravilhado e inspirado, e ainda mais fã do DJ Patife!
Caso queira conhecer mais sobre o seu trabalho como DJ, segue um show bem legal:
Esse texto do Diego é particularmente interessante e dialoga com o anterior, sobre a meditação. Lá ele diz que é a prática ou a praxis, que faz as coisas acontecerem, muito mais do que o que costumamos fazer, que é estudar, ler sobre o assunto, ou pior ainda, ver 3 ou 4 vídeos e já achar que “faz a revolução”. Afinal, a execução é a melhor professora, em consonância com as teorias da educação, de Paulo Freire aos espanhóis, de Vygostki às metodologias ativas, muito bem explicados em um “simples” texto sobre meditação. Trazendo para o GAC, a experiência, principalmente de campo, no fazer, no coletar amostras, no selecionar as amostras, nos ensina muito mais que os livros, os podcasts, as aulas, as newsletters. Obviamente ter alguém para mostrar o caminho, ter o professor como um facilitador (“eu não ensino ninguém, o educando se educa sozinho”, diria Paulo Freire) ajuda muito, mas o aprendizado está no fazer. E essa vivência, usando uma linguagem mercadológica, é um “ativo” importante e escasso, que não poderá ser substituído pelas IAs.
O texto dele de hoje também fala um pouco disso, afinal, a IA pode fazer D&B, mas não pode dirigir um caminhão. Talvez a IA também não faça um show de D&B, não forneça uma “experiência” (outro termo mercadológico) para o espectador, mas pode tranquilamente inundar o Spotify, manipular o algoritmo e fazer um “best seller”, de modo que “Djs Patifes virtuais” podem ser criados aos montes, mas não aquele indivíduo específico, o Wagner Ribeiro de Souza, motorista de caminhão.
Mais que essa relação com a IA, o texto mostra que o DJ Patife vai atrás de algo que o conecta ao mundo, que lhe dá um propósito, encara os percalços que advêm dessa escolha, mas se sente parte de algo mais poderoso. É um pouco o caminho que eu fiz aqui (contando com privilégios, é claro) me dedicando 100% à docência e à ECD Training, e mostra muito o caminho que o próprio Diego escolheu, ao sair de uma posição de Coordenador de uma consultoria internacional (que certamente 9 entre 10 pessoas do GAC queriam estar), para ter o que ele considera maior controle sobre a sua vida. Claro que não é todo mundo que tem a possibilidade de escolher, não é todo mundo que pode abandonar uma situação segura em nome de um propósito, de um “castelo”, mas é sempre algo para se pensar: nenhuma situação é totalmente definitiva. Mais uma vez, Diego nos ensina muito com seu texto.
Agradecemos muito ao Diego e ao Allan pelos textos de hoje!!!!
Como Sessão Especial de hoje, com indicações de músicas, livros, filmes, etc, vou trazer para vocês a canção Solsbury Hill, de Peter Gabriel, uma história que, por coincidência, conversa muito com o texto do Diego sobre o DJ Patife. Sei que não é do tempo de vocês, mas Peter Gabriel era o líder e vocalista de uma banda famosa, de muito sucesso, de rock progressivo chamada Genesis, fundada no Reino Unido em 1967 por: Peter Gabriel, o tecladista Tony Banks, o baixista e guitarrista Mike Rutherford, o guitarrista Anthony Phillips e o baterista Chris Stewart. Em 1970, entra na banda o baterista Phill Collins (esse bem mais famoso). A banda passa por dificuldades, como sempre, faz um certo sucesso, mais de crítica que de público, até que, em 1974, Peter Gabriel anuncia a sua saída da banda, desiludido com a indústria musical. A banda decide colocar o baterista Phill Collins como vocalista e se torna uma banda “mainstream” de grande sucesso. Peter Gabriel toma outro rumo, parte para uma carreira solo mais “light”, com músicas experimentais, perfomances diferentes em shows, enfim, um rumo bem diferente (e arriscado). Em 1975, quando tentava buscar seu caminho artístico e de vida, em uma viagem na Colina Solsbury, teve uma epifania e compôs a canção que mudou a sua vida e carreira. Nos versos iniciais, Peter Gabriel descreve o momento com detalhes. Ele relembra a subida da colina e a vista para a cidade. De repente, Gabriel percebe que deve entrar em uma nova era de sua vida. “Eu tive que ouvir, não tive escolha”, canta Gabriel (Came in close, I heard a voice; Standing, stretching every nerve; I had to listen, had no choice). No refrão, Peter Gabriel se empolga com a jornada que o aguarda. “Só precisava confiar na imaginação”, ele canta, “seguindo em frente sem respostas definitivas”, quando alguém diz a ele “Filho, pegue suas coisas, vou te levar de volta para casa” (I did not believe the information / Just had to trust imagination / My heart going, “Boom-boom-boom” / Son, he said, / “Grab your things, I’ve come to take you home”. A maior parte da música aborda a incerteza de Gabriel, mas, no final, ele se sente realizado e feliz, reconhecendo que tomou a decisão certa: (Hoje não preciso de substituto / Vou lhes dizer o que o sorriso no meu rosto significa / Meu coração batendo forte / “Ei”, eu disse, “podem ficar com as minhas coisas, vieram me levar para casa.” (Today I don’t need a replacement / I’ll tell them what the smile on my face meant / My heart going boom boom boom / “Hey,” I said “You can keep my things, they’ve come to take me home”).
Como DJ Patife, talvez nós todos pensamos, em algum momento, que basta acharmos o caminho de casa para voltarmos a ter o sorriso no rosto, e nesse momento, podemos deixar “as coisas” para trás. No caso de Peter Gabriel, a fama e a grande banda, no caso do DJ Patife, a própria música. No caso de muita gente no nosso mercado, as posições confortáveis nas corporações. E no seu caso? Qual o caminho de casa?
https://americansongwriter.com/behind-the-meaning-of-solsbury-hill-by-peter-gabriel/
Vamos agora às principais notícias da quinzena:
Recebi essa semana, como sempre, algumas contribuições muito legais de: Manoel Riyis Gomes, Fabiano Rodrigues, Lucas Venciguerra, Sasha Hart, Filipe Ferreira. Obrigado, pessoal!!! Fico orgulhoso de ter, ainda na nossa 7ª temporada, tanta gente boa contribuindo com nosso “espalhamento” aqui. Quem identificar erros ou falhas, ou quem tiver dicas, críticas, sugestões para dar, por favor, me mande, para rechearmos esse espaço com as ideias de vocês.
- Recebi, na última quinzena, algumas vagas de emprego para divulgar: Denso (Supervisor de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente em Santa Bárbara D’Oeste-SP), Ecopro (Estágio), Geointegra (Coordenador de Projetos – Remediação), BTX (Gestor de Projetos Plano e Sênior), VSOL (várias vagas em Sumaré-SP), IGEO (Analista de Hidrogeologia para Minas Gerais), Geointegra (Supervisor Técnico para Remediação), A2J (Analista Pleno e Analista Junior), Geointegra (Técnico Ambiental), Hidroplan (Consultor temporário para acompanhamento de escavação em Jundiaí-SP), CPEA (Analista para Santos-SP), Arcadis (muitas vagas, incluindo Analista Junior e Analista Pleno). Soube também de outras vagas não anunciadas, se você é um profissional da área, recomendo que entre no site da AESAS e entre em contato diretamente com as empresas associadas (www.aesas.com.br). As vagas que recebo ou vejo, compartilho imediatamente no nosso Canal do Telegram (https://t.me/areascontaminadas).
- Recentemente vi uma postagem interessante no LinkedIn, da Legion Drilling, empresa australiana do que chamamos aqui de sondagens ambientais. Eles estão reclamando, com razão, dos padrões, das normas australianas para amostragem de solo, que aceitam amostragem nos helicoidais dos trados (ocos e sólidos) e outras técnicas chamadas de “geotécnicas combinadas”, de modo a fazer o trabalho de coleta desses dados mais rápida e “conjugada” com outros objetivos, na linha do “já que temos que fazer um furo, vamos aproveitar e coletar todas as informações dele”. Segundo a Legion Drilling, o padrão anterior era amostragem contínua com Direct Push, que teria sido substituído pelo padrão atual, onde “pode tudo”. A norma brasileira NBR 15492, revisada em 2025, superou esses problemas. Pouca gente diria que teríamos muito a ensinar aos profissionais do GAC na Austrália, especialmente sobre padrões e normas.
- Uma postagem interessante no LinkedIn, que se desdobra em dois tópicos interessantes aqui. Inicialmente, a postagem original, de James Boxall-Clasby comparando os PFAS à talidomida. Para quem não conhece essa triste história, talidomida era um medicamento muito bom, aprovado pelos órgãos reguladores, usado como sedativo, em tratamentos contra câncer de medula, lesões decorrentes de hanseníase, enfim, muitos benefícios. No entanto, sem que se soubesse, apresentava graves efeitos teratogênicos, que levou à malformação congênita de cerca de 20 mil crianças nos anos 60. Aí, a talidomida foi banida nos EUA e no mundo inteiro. Aí, vamos à postagem, onde James diz que “a proibição por si só não foi suficiente. O que se seguiu foi um endurecimento do quadro regulatório, onde: a função, via de exposição e órgãos vulneráveis do corpo do receptor importam. Hoje, nos EUA, se uma substância química é introduzida no corpo humano, ela é supervisionada por órgãos reguladores de saúde. Em minhas postagens anteriores, argumentei que PFAS, CFCs, HCFCs e HFCs compartilham uma lógica de design comum: Extremamente não reativo sob condições adversas. Essa função é exatamente o que os torna: Industrialmente valiosos, Ambientalmente persistentes e Difíceis de remediar. Então, a proibição de PFAS é necessária, com possíveis exceções específicas de uso. Mas isso seria apenas como a proibição da talidomida. Precisamos também do sistema regulatório pós-talidomida. A Lei de Medicamentos de 1968, a fundação da MCA em 1989, a criação da MHRA em 2003, entre outros. Continuamos a regular produtos químicos industriais como se: A estrutura química por si só definisse o risco, a persistência fosse problema do próximo e o transporte e destino ambiental pode ser avaliado somente depois de uso generalizado. Segundo os critérios da saúde, isso seria impensável. Não dá para esperar para verificar se um medicamento bioacumula em pacientes e seguir a ‘aprovação de mercado’. Precisamos de uma mentalidade regulatória semelhante à da área da saúde para a química industrial. Não apenas: ‘esta substância é proibida’, mas também: ‘esta função exige maior atenção’. A proibição de PFAS é o começo, não o fim”.
- Um segundo tópico vem de um comentário de Ian Ross na postagem, dizendo que os PFAS se degradam (quando se degradam) em PFAAs, as formas ácidas, muitas vezes mais tóxicas, como no estudo de Phillips et al. (2007), que diz, em seu resumo: “Ácidos carboxílicos fluoroteloméricos saturados e insaturados foram identificados como intermediários na degradação de álcoois fluoroteloméricos em ácidos carboxílicos perfluorados (PFCAs). Avaliamos a toxicidade aguda dos ácidos carboxílicos fluoroteloméricos saturados (FTCA) e insaturados (FTUCA) 4:2, 6:2, 8:2 e 10:2 para Daphnia magna, Chironomus tentans e Lemna gibba. Em geral, a toxicidade aumentou com o aumento do comprimento da cadeia de fluorocarbono (FC), particularmente para ácidos teloméricos com ≥8 FCs. Além disso, os FTCAs foram geralmente mais tóxicos do que os FTUCAs correspondentes. Os valores de EC50 agudos variaram de 0,025 mg/L (0,04 μmol/L) para D. magna (FTCA 10:2, imobilidade) a 63 mg/L (167 μmol/L) para C. tentans (FTCA 6:2, crescimento). Embora as tendências de comprimento da cadeia observadas neste estudo estejam de acordo com as relatadas anteriormente para PFCAs, os limiares de toxicidade gerados aqui são até 10.000 vezes menores. Nossos dados fornecem a primeira evidência de que os precursores de PFCA são mais tóxicos do que os próprios PFCAs (grifo meu).”
https://pubs.acs.org/doi/10.1021/es070734c
- Sasha Hart nos enviou uma mensagem interessante, falando que está colaborando com um curso de Pós-Graduação EaD na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, sobre Gerenciamento de Áreas Contaminadas, chamado “Mestrado em Requalificação Geoambiental de Áreas Degradadas”. Ele diz “Por favor encaminhe caso saiba de alguém (pode estar no Brasil) que possa se interessar. Tem o diferencial de abordar o contexto e dar um título Europeu”. Mais informações e inscrições no link.
https://www.fct.unl.pt/ensino/curso/mestrado-em-requalificacao-geoambiental-de-areas-degradadas
- Sasha também indicou um texto muito interessante na Revista FAPESP. Sasha disse: “(segue uma matéria) sobre pesquisas do nosso grupo no CEPAS. Ressalta riscos associados com poços de abastecimento/ aquíferos “profundos”/ áreas contaminadas, bem como indica caminhos para melhorar o gerenciamento. Me avisem caso queiram saber mais do contexto e soluções”. A reportagem de José Tadeu Arantes diz que 2/3 dos 14 mil poços privados existentes na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) não estão formalmente cadastrados e muitos foram perfurados em antigas zonas industriais em processo de reconversão imobiliária, com alto potencial de contaminação. A contaminação dessas áreas por resíduos industriais, principalmente solventes clorados utilizados na limpeza de máquinas, constitui um risco para o consumo de águas subterrâneas, considerando-se a dificuldade de gerir esse passivo ambiental em escala compatível com a da demanda de recursos hídricos. A RMSP consome em média 61,6 m3 de água por segundo. Embora quase todo o abastecimento público provenha de mananciais superficiais, estima-se que aproximadamente 18% do consumo total dependa de aquíferos, por meio de cerca de 14 mil poços privados. “Chamamos a atenção para os riscos potenciais associados ao uso de aquíferos em áreas industriais antigas ou em reurbanização, em um contexto de monitoramento ainda fragmentado”, diz Daphne Pino, autora principal de um artigo recém-publicado sobre o tema. Ela é pós-doutoranda no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGC-USP). Seu supervisor, Reginaldo Antonio Bertolo, também assina o artigo. Bertolo sintetiza a situação: “Para cada três poços que são construídos, dois são irregulares, no sentido de que o poder público não tem ciência da existência deles nem consegue avaliar se a água utilizada oferece risco ao usuário”. Entre os principais contaminantes, englobados na categoria “solventes clorados”, destacam-se o percloroetileno e tricloroetileno, utilizados como desengraxantes industriais. Uma das contribuições centrais do estudo é o cruzamento cartográfico entre três camadas de informação: zonas industriais, áreas oficialmente contaminadas por solventes clorados e poços de abastecimento de água. A análise mostra que, em São Paulo, essas três dimensões frequentemente se sobrepõem. O que chama atenção é a proximidade e até mesmo a sobreposição entre poços registrados e áreas contaminadas. O problema torna-se ainda mais grave se considerarmos a predominância de poços irregulares, que, obviamente, não aparecem. Ao aplicar esse critério aos mapas produzidos no estudo, os autores identificaram 17 aglomerações de áreas contaminadas e poços cujos raios se sobrepõem: em regiões como Jurubatuba, Jaguaré, Mooca e Vila Prudente, na capital; e Diadema, Mauá e Osasco, na RMSP. “Muitas dessas áreas funcionam como fontes multiponto de contaminação, com plumas que se interceptam. E há poços profundos usados para ingestão humana [de água subterrânea] dentro desses cinturões”, enfatiza Pino. O estudo aponta que a gestão de áreas contaminadas costuma ser conduzida no limite de cada propriedade, enquanto a água subterrânea ignora fronteiras imobiliárias. “Remove-se solo superficial para controlar o risco imediato, impedindo, por exemplo, que vapores tóxicos entrem em edificações. Mas grande parte da massa contaminante permanece em profundidade e continua sendo transportada pela água subterrânea”, descreve Bertolo. Ele afirma também que a contaminação tende a se concentrar nos primeiros metros do aquífero. “Mas, quando se bombeia a 100 metros de profundidade, cria-se um gradiente descendente que faz com que a água contaminada da zona rasa migre lentamente para baixo”, explica. Ele ressalta que camadas geológicas menos permeáveis podem atuar como filtro natural, mas reconhece incertezas importantes sobre a eficácia desse mecanismo ao longo de décadas. “Hoje, o cenário exige uma ação estratégica, que ultrapasse o caso a caso e direcione a política pública para impedir o uso da água subterrânea em áreas mais amplas. Quando se olha o aquífero, delimitações geométricas rígidas em torno de um imóvel não fazem sentido. É preciso tratar essas regiões como sistemas hidrogeológicos integrados”, acrescenta Pino. O artigo conclui com um chamado por bases de dados mais robustas, equipes técnicas multidisciplinares e diagnósticos regionais sistemáticos, capazes de dimensionar a extensão real do problema e orientar políticas de longo prazo. É uma reportagem e tanto!!!! Claro que dá para encontrar uma porção de pequenos senões em vários trechos, mas, na minha opinião, essa é uma das essências do GAC: devemos preservar a água subterrânea para as futuras gerações, e os famigerados “polígonos de restrição” não ajudam em nada, pelo contrário. Ainda mais se não for necessário nenhum monitoramento, se a restrição for eterna e se não forem conhecidos os efeitos dos bombeamentos de 14 mil poços na dinâmica do “aquífero raso”. Muita gente advoga (em favor dos Responsáveis Legais) que o “aquífero raso já está impactado pelos rios Tietê e Pinheiros e pelo esgoto ‘da Sabesp’, portanto não tem serventia, podemos deixar tudo como está, por que devemos exigir do ‘pobre empreendedor’ uma remediação de um ‘aquífero inútil’?” Descontada a falta de preocupação com as futuras gerações, essa ideia é péssima também por conta dos bombeamentos dos aquíferos mais profundos da RMSP porque, afinal, de onde vem a recarga desses aquíferos profundos? Por fim, gostaria de falar novamente para vocês que eu vi pela primeira vez, se não me engano, em 2018, essa sobreposição de mapas de poços tubulares e áreas contaminadas na RMSP no trabalho do Bruno Consentino, que já citei aqui outras vezes. Recomendo fortemente que vocês leiam a matéria na Revista FAPESP, o artigo da Daphne e colaboradores e, mais que isso, reflitam sobre isso e sobre o papel real do GAC. Por que fazemos o que fazemos?
https://link.springer.com/article/10.1007/s12665-025-12727-x
- Sobre essa matéria, Sergio Ogihara escreveu: “A discussão técnica sobre a contaminação remanescente do GAC é resiliente, justa e importante. Nesse artigo do Prof. Dr. Reginaldo Bertolo do IGc-USP sao expressados dados concretos sobre o uso de milhares de poços tubulares profundos não licenciados em SP e sua relação com áreas fontes gerenciadas com contaminação por substâncias organocloradas. Essas áreas, que foram reabilitadas para uso declarado com restriçõess de uso de água subterrânea, podem se constituir de fontes secundarias de impacto a água subterrânea. Tecnicamente, concordo com a ideia principal do artigo e acrescento que a Constituição Estadual de SP estabelece que as águas subterrâneas são um bem estratégico e bem a proteger para as futuras gerações. Dessa forma, as restrições de uso da água subterrânea, que são um dos instrumentos de gerenciamento de água subterrânea, não podem ser outorgadas por tempo indeterminado, no caso o artigo refere-se a substâncias cloradas, de forma que a pertinência da discussão será mais relevante para contaminantes emergentes persistentes como os PFAS, cujos valores de potabilidade, por ora não definidos no Brasil, provavelmente serão fixados ao nível de partes por trilhão”.
- Falamos há algumas semanas sobre os grandes lucros das corporações. Lembramos que obter lucro é a função primordial de uma empresa (alguns dizem que é a sua “função social”) nesse sistema econômico em que estamos inseridos. Mas os lucros que trouxemos aqui, divulgados na imprensa eram das grandes indústrias, como a Petrobrás. Desta vez, reproduzo aqui dados divulgados pela Arcadis Global no LinkedIn sobre seus resultados no 1.o trimestre de 2026. A nota da Arcadis diz: “Durante o primeiro trimestre, avançamos significativamente na execução de nossas prioridades estratégicas: foco em mercados de alto crescimento, simplificação da organização para acelerar a execução e promoção da mudança cultural. Embora os benefícios totais dessas ações sejam percebidos ao longo do tempo, já observamos um impulso inicial positivo. O crescimento no primeiro trimestre acelerou, impulsionado pela Mobilidade na América do Norte, enquanto o desempenho em nossas soluções de Água e Energia permaneceu sólido. As margens foram sustentadas pela continuidade do nosso programa de redução de custos e ações de redimensionamento [grifo meu], juntamente com investimentos disciplinados e direcionados. Continuamos sendo uma empresa resiliente, focada na execução e na criação de valor”. Quanto aos números, a Arcadis disse que teve, no 1.o trimestre, um valor total de pedidos de 1,1 Bilhão de Euros, com 933 milhões de Euros de receita líquida, com 11% de EBITDA, 3,3 Bilhões de Euros de Backlog (4,6% de crescimento anual).
A permanente redução de custos é uma característica importante das empresas capitalistas, obviamente não é exclusividade da Arcadis e lembro que isso é uma divulgação de seus resultados globais, contudo, dentro do GAC, a redução de custos não costuma trazer bons resultados técnicos, com reações em cadeia por todo o GAC, incluindo diversas dificuldades no dia a dia dos trabalhadores e trabalhadoras, subcontratação “do mais barato”, entre outras ações para que os custos caiam cada vez mais e para que as margens sejam cada vez maiores. Não é, necessariamente, o caso da Arcadis, mas é legal trazer a reflexão para todo o GAC, todas as consultorias, laboratórios e prestadoras de serviço: o que é o sucesso da empresa? Ter sempre excelentes números para os acionistas ou para os sócios?
- Bruno Bezerra publicou em seu LinkedIn que participou de um Podcast chamado Ambiental Informe, sendo entrevistado para falar de Áreas Contaminadas. Bruno disse: “A conversa foi direcionada para quem tem interesse em se conhecer a cadeia do GAC, mas tambem para quem toma decisão como engenheiros, consultores, advogados, investidores, incorporadores. Alguns pontos que eu destaquei nesta conversa: Passivo ambiental é passivo do imóvel, ou seja, quem compra terreno sem due diligence pode herdar um problema extremamente caro pois a responsabilidade acompanha a propriedade; investigação começa antes dos serviços de campo: fotos aéreas históricas, entrevistas com antigos funcionários, análise de documentos de cartório, entre outros documentos, com certeza, ajuda a contar a história do imóvel e construir um Modelo Conceitual sólido. É o que define onde fazer as sondagens, onde coletar amostras, o que analisar nestas amostras e como economizar dinheiro sem perder qualidade, atendendo à legislação e tendo uma resolução adequada para o caso; erros de campo são mais comuns do que parece: Seja perfuração sem revestimento duplo espalhando contaminação, filtro longo diluindo amostra e escondendo o problema, poços mal posicionados gerando dados inúteis, entre outros. Tudo isto é evitável, é totalmente contornável se executarmos cada etapa com o rigor técnico necessário; remediação não se escolhe por projeto de prateleira, ou para destinar aquele sistema que está no galpão. A tecnologia certa depende de uma série de fatores, mas costumo destacar cinco destes: permeabilidade do solo, tipo de contaminante, profundidade, prazo do cliente e orçamento; por fim, para aqueles que estão começando no Meio Ambiente e principalmente no GAC, é necessário lembrarmos sempre de trabalharmos com ética e transparência. O mercado e o órgão ambiental aprende rápido quem maquia dado e só entrega papel de quem entrega comprovação e resultado.
Podcast na íntegra:
- Robert Shibatani, faz uma publicação interessante no LinkedIn, que fala sobre o famoso MODFLOW, o software de modelagem numérica mais famoso (e mais usado) do mundo, desenvolvido pelo USGS (Serviço Geológico dos EUA, uma espécie de CPRM estadunidense). É fundamental lembrar que, mais uma vez, é o setor público, com investimento público, recursos (financeiros e humanos) públicos para gerar um trabalho com relevância para toda a sociedade e que os tempos atuais são contrários a tudo o que seja regulação pública, investimento público, enfim, a qualquer ingerência da sociedade na “liberdade individual econômica” que leva a problemas até no MODFLOW. Robert diz: “Uma Nova Era para o MODFLOW: Por mais de quatro décadas, o MODFLOW tem sido a plataforma de modelagem de águas subterrâneas mais utilizada no mundo. Agências governamentais, tribunais federais, empresas privadas e instituições acadêmicas têm confiado no MODFLOW para realizar uma ampla gama de investigações de águas subterrâneas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) tem sido o principal desenvolvedor do MODFLOW desde seu lançamento inicial em 1984. Em 2025, reduções no quadro de funcionários do USGS infelizmente resultaram na saída de vários desenvolvedores-chave do MODFLOW. Embora o desenvolvimento do MODFLOW tenha envolvido, por muito tempo, a colaboração com inúmeros parceiros externos, essas recentes mudanças na equipe levaram, compreensivelmente, à incerteza na comunidade de águas subterrâneas em relação ao futuro do desenvolvimento do MODFLOW e às perspectivas de continuidade do suporte. Apesar dessas restrições, para ajudar a garantir a continuidade do desenvolvimento e do suporte ao MODFLOW, o USGS e os principais colaboradores do MODFLOW formalizaram recentemente uma estrutura mais ampla de desenvolvimento e tomada de decisões na forma de uma Carta de Governança do MODFLOW. Informações sobre os desenvolvimentos mais recentes do núcleo do MODFLOW e orientações para colaboradores estão disponíveis no repositório público. Em resumo, o MODFLOW veio para ficar e medidas construtivas positivas foram estabelecidas para garantir a continuidade da expertise técnica do MODFLOW, o rigor do desenvolvimento e uma nova era de transparência e acesso aberto”. A saída, nesse caso, foi a comunidade se juntar para o desenvolvimento coletivo do serviço. Talvez essa seja a saída para muitas outras coisas em tempos de esvaziamento do setor público.
https://github.com/MODFLOW-ORG/modflow6
https://www.usgs.gov/software/modflow-6-usgs-modular-hydrologic-model
- Vou indicar o retorno de uma notícia antiga que ouvi pela primeira vez nos anos 90, que retoma de tempos em tempos e que continua impactante: Cidade do México está afundando até 2 cm por mês (!!!!). Dados recentes divulgados pela Nasa mostram que algumas regiões da cidade chegam a afundar mais de 2 centímetros por mês. As informações foram obtidas pelo satélite Nisar, um projeto conjunto entre os Estados Unidos e a Índia. Construída sobre o leito de um antigo lago, a Cidade do México sofre há mais de um século com o problema. A principal causa é a extração intensiva de água subterrânea, que reduz o volume do aquífero e provoca o afundamento do terreno, a subsidência.
- Duas notícias interligadas preocupantes: uma delas diz que duas espécies recém-descobertas na Bacia do Piranhas-Açu estão em risco de extinção, e a suspeita é que a contaminação por petróleo tenha alterado a fisiologia dos peixes, incluindo a alteração nas cores dos machos das espécies. As espécies são bioindicadores e, se essa alteração, aparentemente simples, acontece nessas espécies, qual pode ser o dano a outras espécies, incluindo os humanos? Outra notícia, também relativa à contaminação da água e efeitos nos peixes, diz que a presença de cocaína e de seus subprodutos em rios e lagos podem alterar o comportamento de peixes na natureza. Um estudo internacional publicado na revista científica Current Biology mostrou que salmões-do-Atlântico juvenis expostos a concentrações da droga encontradas em águas contaminadas passaram a nadar mais e se dispersar por áreas maiores.Um dos resultados que mais chamou atenção dos cientistas foi o fato de que o metabólito da cocaína teve impacto maior que a própria droga. “Descobrimos que a benzoilecgonina, que é o principal produto de degradação da cocaína e é comumente encontrada em ambientes aquáticos, teve efeitos particularmente fortes”, explicou um dos cientistas. Para os cientistas, alterações no deslocamento de animais podem ter impactos amplos nos ecossistemas. “Para onde os peixes vão determina o que eles comem, o que os predadores comem e como as populações são estruturadas”.
https://www.uol.com.br/flash/?c=dd243b73cbeccf81d96663baea4e79a20260424
- Vejam que notícia curiosa, publicada na insuspeita Veja, que jamais poderia ser acusada de ser contra o capital. Tem gente que acha que deveria haver uma livre negociação entre patrão e funcionários, entre os “colaboradores” e a corporação, para que todos ganhem, mas a realidade sempre se impõe e jamais a negociação seria justa com essa correlação de forças. A notícia diz que o CADE investiga, em 2026, um suposto cartel composto por cerca de 59 multinacionais no Brasil, que teriam trocado dados para manipular salários e benefícios, mantendo-os artificialmente baixos. A prática, iniciada possivelmente em 2004, visa limitar a concorrência por talentos, impactando milhões de trabalhadores. Ou seja, não vamos oferecer salários maiores assim não há valorização do trabalhador. Isso faz com que os custos fique menores, e as margens, maiores, dando belos resultados na bolsa, à custa, como sempre, de quem efetivamente produz a riqueza. A partir de um acordo de leniência, os investigadores descobriram que a troca de informações sensíveis entre os departamentos de recursos humanos das companhias tinha o objetivo de limitar benefícios, salários e até impedir que trabalhadores recebam propostas dos concorrentes. Nos últimos meses, cinco companhias — Bayer e Monsanto, General Mills, Dow Brasil, 3M do Brasil e IBM Brasil — fecharam acordos para confessar crimes aos investigadores do conselho. Graças ao cartel, dezenas de companhias cancelaram, num acerto secreto, os bônus de executivos na pandemia de Covid-19. Diversas negociações salariais com sindicatos também foram manipuladas no esquema. A reportagem ainda traz a lista das 59 empresas acusadas de participarem do suposto cartel. Não é difícil imaginar que outros setores da economia podem ter a mesma prática. Afinal, na ótica das empresas, pra que vão brigar entre si se todas ganham com uma prática semelhante e o “adversário” é o trabalhador?
- Notícia importante para a nossa saúde, com possíveis reflexos futuros importantes no GAC: a revista Regulatory Toxicology and Pharmacology anunciou a retratação de um estudo publicado em 2000 que concluiu, na época que o herbicida glifosato não era cancerígeno. O artigo fazia uma revisão da literatura científica disponível sobre o agrotóxico e seus riscos à saúde humana e serviu como referência, por exemplo, para a renovação da autorização do uso do glifosato pelo Ministério da Saúde do Canadá. O editor-chefe do periódico explicou, na nota de retratação, que foram levantadas várias preocupações éticas no artigo, como a seleção aparentemente enviesada de estudos que embasaram o artigo. Segundo ele, as conclusões se basearam exclusivamente em estudos da própria multinacional Monsanto (fabricante do herbicida Roundup, cujo princípio ativo é o glifosato). Não foram incluídos outros estudos de toxicidade crônica e carcinogenicidade de longo prazo que já haviam sido realizados na época da redação da revisão, em 1999. O artigo teve um impacto significativo na tomada de decisões regulatórias em relação ao glifosato e ao Roundup por décadas. Pretendemos falar um pouco mais e melhor sobre este assunto em breve.
https://revistapesquisa.fapesp.br/perda-de-confianca-2/
- A IA e os algoritmos são “treinados” a partir de avaliações estatísticas. A modelagem, a avaliação de risco, a verificação da tendência de queda das concentrações, a interpolação, a amostragem multi-incremento, e muitas outras coisas são baseadas na estatística. É fundamental entendermos estatística, e recomendo que todo mundo no GAC (não só no GAC, mas especialmente no nosso meio) conheça os fundamentos. Já dei outras indicações em outras edições, mas nessa quinzena, me deparei com uma postagem no Threads que fala alguns desses conceitos. Começando por algo muito relevante na nossa vida (e no GAC): correlação não indica causalidade. Segundo o perfil @profarteweyl, duas coisas acontecendo juntas não significa que uma causa a outra. Pode ser: coincidência, terceira variável escondida, ou até causalidade reversa. Por exemplo: ataques de tubarão sobem quando vendas de sorvete sobem. A conclusão (errada) é que sorvete causa ataque de tubarões. Mas a realidade é que o calor aumenta os dois. Há outros erros, como a “Falácia do atirador do Texas”: a pessoa joga um monte de dados aleatórios, depois escolhe só os que “combinam” e finge que aquilo era o objetivo desde o início, então isso cria padrões que nunca existiram. Tradução: Se alguém analisou 50 coisas e só mostrou 1 resultado “significativo”, Desconfie. É como pintar o alvo em torno da flecha, o que acontece muito no GAC. Com dados suficientes, alguma coisa sempre parece relevante quando não é. Outro erro clássico é ter amostra ruim. Amostra pequena leva em resultado instável, e amostra enviesada leva a resultado errado com confiança alta. Isso é mais comum do que parece, especialmente quando coletamos poucas amostras (olha o GAC aí!!!!). Exemplo real do dia a dia: “Pesquisa no Instagram mostra que a população pensa X.” Não. Mostra que usuários daquele recorte específico pensam X, e redes sociais são tudo, menos representativas. Ainda tem os golpes visuais, como gráficos manipulados, eixo cortado, escala distorcida, eixo duplo, tudo isso muda sua percepção sem mudar o dado. Como se defender? Segundo a autora, sempre pergunte: Quem coletou esses dados? Qual o tamanho e tipo da amostra? O que NÃO foi mostrado? Tem variável de confusão? Isso faz sentido no mundo real? Estatística é linguagem de probabilidade, não de verdade absoluta.
https://www.threads.com/@profarteweyl/post/DXe3piYltei
- Pretendemos falar um pouco mais de terras raras nos nossos canais. Hoje, indico uma notícia interessante: A Viridis Mining and Minerals, mineradora australiana listada na bolsa de seu país, quer ser a próxima a extrair terras raras no Brasil, em meio à corrida de Estados Unidos e Europa por esses minerais.
A empresa vai receber investimento de até US$ 30 Milhões. Uma parte do recurso será usado para a construção de uma planta-piloto em Poços de Caldas, Minas Gerais. A outra vai para os trâmites da licença ambiental de instalação, que exige dados detalhados de engenharia do que será a planta industrial. Com o valor de cerca de US$ 2 milhões, a planta-piloto é um passo importante para gerar dados para o Estudo de Viabilidade Econômica (EVE) Definitivo – documento que detalha investimentos, custos, tecnologias e retorno esperado, permitindo a avaliação do risco por investidores e órgãos reguladores. O valor total do projeto é estimado em US$ 360 milhões e, para chegar lá, a mineradora busca capital estrangeiro. A ideia é extrair os quatro elementos mais cobiçados, que são essenciais para a fabricação de superímãs, presentes em turbinas eólicas, carros elétricos e armamentos. Na planta-piloto, serão testados os passos da extração de um material conhecido como argila iônica até o produto de carbonato misto de terras raras – etapa anterior à separação por elemento.
Amigas e amigos, muito obrigado pela leitura!!!! A sua leitura nos honra muito porque faz nossas palavras chegarem mais longe!!!! Paulo Freire dizia que ensinar não é transferir conteúdo, mas criar possibilidades para que o aluno se eduque. Embora no “mundo digital” parece que estamos criando, transmitindo e consumindo conteúdo, eu acredito, pelas mensagens que recebo, que estamos, realmente, criando possibilidades. Que assim seja por muito mais tempo!!!
Gostaria de relembrar que nós temos há 5 anos uma campanha de financiamento coletivo na plataforma “Apoia.Se”, que nos ajuda muito!!! Essa campanha é muito importante pra gente, pois ela nos ajuda a manter gratuitos os nossos canais de divulgação científica como essa Newsletter e o Podcast Áreas Contaminadas, ao mesmo tempo que nos dá o recado que somos relevantes e importantes o suficiente a ponto da pessoa se comprometer a contribuir com uma iniciativa que não vai recompensá-las diretamente, mas sim tentar construir coletivamente um GAC mais forte, mais coeso, mais tecnicamente preparado e, com isso, contribuir para uma sociedade melhor e mais justa. A campanha está no site http://apoia.se/ecdambiental
É simples e rápido, você faz um login na plataforma e escolhe como fazer esse pagamento, com boleto, cartão, etc. Mensalmente o Apoia.se faz essa cobrança; se for por boleto, a plataforma te envia os boletos mensalmente, se for no cartão, ela te cobra mensalmente na fatura o valor escolhido.
Aproveitando, agradeço aos atuais 47 apoiadores e apoiadoras, principais responsáveis pela manutenção dos nossos canais de divulgação gratuitos. Sem a ajuda deles, dificilmente seria possível dedicar todo esse tempo à pesquisa, produção e o desenvolvimento do material gratuito do podcast e dessa Newsletter. Muito obrigado a vocês, especialmente porque é uma forma muito carinhosa de vocês nos darem força e nos dizerem para continuar. Então, continuaremos ao lado de 101 pessoas que em algum momento participaram dessa campanha, especialmente das 47 atuais apoiadoras e apoiadores financeiros. Resistiremos com a maravilhosa companhia de vocês!!!
Nossos atuais apoiadores e apoiadoras são:
Ábila de Moraes, Alison Dourado, Allan Umberto, Álvaro Guerra, Ariane Rodrigues, Augusto Amável, Beatriz Lukasak, Bruna Fiscuk, Bruno Balthazar, Bruno Bezerra, Carlos Marteleto, Carlos Tolentino, Claudia Deckers, Cristina Maluf, Diego Silva, Fabiano Rodrigues, Fabio Mathias Fabbris, Filipe Ferreira, Giselle Alvarado, Heraldo Giacheti, Hermano Fernandes, Igeológico, José Gustavo Macedo, Juliana Mantovani, Julio Costa, Leandro Freitas, Lilian Puerta, Luana Fernandes, Luiz Ferreira, Marcelo Silva, Marina Fernandes, Nádia Hoffman, Rafael Sousa, Renata Machado Lima, Rodrigo Alves, Rodrigo Gaudie-Ley, Silvio Almeida, Sueli Almeida, Tamara Dias, Tatiana Sitolini, Tatianne Grilleni, Tiago Soares, Willem Takiya, e mais 6 apoiadores anônimos.
Os canais mantidos pelos Estúdios ECD, como o Canal Áreas Contaminadas do Telegram, o Canal ECD Training no Youtube, a página (Newsletter, Notas e Podcast) no Substack, o perfil @ecdambiental no Instagram, o site (www.ecdambiental.com.br), o Podcast Áreas Contaminadas (no Spotify, YouTube, Apple Podcasts, Google Podcasts e agregadores), o Podcast Screening de Notícias (quinzenal, nos mesmos canais) e, claro, essa Newsletter, pretendem dar poder a vocês, não um poder excludente, individual, mas um poder cooperativo, coletivo, solidário, trans-formador, de vencer COM o outro, que cria laços e reparte conquistas. Um poder pelo conhecimento!!!
Tentamos fazer isso trazendo informações, dicas, conteúdos, textos, novidades e notícias sobre Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), mas não só sobre isso, também sobre meio ambiente, ambientalismo, economia, saúde, filmes, livros, músicas e teorias para adiar o fim da humanidade, sempre com comentários e com pitadas do nosso olhar sobre essas informações.
Desde o início de 2025 estamos com essa Newsletter quinzenal, focando em comentários um pouco mais longos e detalhados. Intercalando os domingos com ela, também quinzenalmente, estamos tentando fazer o Screening de Notícias, com as principais notícias específicas do GAC. Então, a cada 2 semanas, teremos a Newsletter, com notícias do GAC, de meio ambiente, ambientalismo, ciência, tecnologia, economia e outras coisas, tudo isso com comentários um pouco mais aprofundados. E, também a cada 2 semanas (irregularmente), a ideia é termos o Screening de Notícias, exclusivamente com notícias do GAC.
Se por acaso alguém não quiser mais receber as minhas mensagens, é só responder esse e-mail com o texto REMOVER
Até daqui a 2 semanas!!!!!
Marcos Tanaka Riyis
