Newsletter ECD #261
Newsletter Quinzenal da ECD Training
Olá a todas e todos
Muito obrigado por se inscreverem, lerem e acompanharem a nossa Newsletter quinzenal.
Essa é a Edição #261, a décima de 2026, enviada em 24/05/2026.
Agradeço por vocês estarem conosco por aqui nesta Newsletter, que pretende trazer comentários mais elaborados sobre temas do GAC (técnicos e “de mercado”), e temas “além-GAC”, como ambientalismo, economia, ciência e outros. Espero que possamos contribuir para uma melhora na vida de vocês. Ficamos muito felizes por vocês lerem nossas opiniões e a nossa curadoria nesta Newsletter. Essa troca faz a gente se sentir importante, relevante e, especialmente, vivos!!!
Então, bem-vindas e bem-vindos à Newsletter ECD!!!!
Essa Newsletter, como vocês que me leem há quase 6 anos já sabem, é escrita e enviada por e-mail por mim mesmo (totalmente “old school”), tentando escrever com o carinho e a atenção que vocês merecem as minhas opiniões e comentários sobre as notícias, dicas e sugestões. Assim temos feito.
Se alguém quiser compartilhar a nossa Newsletter com alguém, o link para preenchimento do formulário de inscrição gratuita está abaixo:
https://forms.gle/wJoFfUzv9vSkw19g7 .
Recentemente começamos a publicar a Newsletter também no Substack. Nos acompanhe também nessa plataforma, que armazenará as Newsletters e também os Podcasts. Mais um canal de divulgação científica do GAC oferecido pelos Estúdios ECD
Nessa última quinzena, tivemos a grande alegria de receber 1 nova inscrição aqui. São, atualmente, 987 assinantes nessa Newsletter, estamos chegando em 1000!!!! Então, seja bem-vindo, Rai!!! Já são quase 1000 pessoas que muito nos orgulham por ceder um pouco do seu tempo, da sua atenção, para ver a curadoria que fazemos das notícias mais importantes da quinzena e os nossos comentários sobre os temas mais relevantes da atualidade. Isso é muita gente!!!!! Em nome da família ECD, agradeço demais a companhia de vocês, que nos dão a força que precisamos para fazer esse trabalho.
Nas duas últimas semanas, no Podcast Áreas Contaminadas, levamos ao ar dois episódios de uma nova série: Os Novos Empreendimentos do GAC, com o objetivo de divulgar pessoas e empresas que estão oferecendo novas soluções para o nosso mercado, sejam produtos, serviços, ou mesmo ideias inovadoras. Temos pelo menos mais um agendado, com o Rafinha (Rafael Sousa) e outros “na mira”. Aguardem as novidades!!!
Na semana anterior foi ao ar o Episódio #267 com Vitor Ponce, da Technology One, Vitor já participou do nosso podcast, no Episódio #189, onde ele contou sua trajetória no GAC até ser um dos sócios da Éllu Ambiental, onde está até hoje. Mas nesse episódio especificamente, Vitor fala de seu novo projeto, onde também é sócio, a Technology One, que oferece, por enquanto, dois aplicativos para o mercado do GAC: o Brown, focado em coleta e gestão de dados de solo (incluindo poços de monitoramento), e o Blue, ficado em coleta e gestão de amostras de água subterrânea. A ideia é que a coleta de dados ocorra em um dispositivo móvel no aplicativo e esses dados sejam sincronizados com a nuvem e da nuvem para o gestor de projetos, que consegue, no próprio ambiente do aplicativo, gerar saídas como perfis, relatórios de amostragem, cadeias de custódia, e outros. Segundo Vitor, o custo é baixo, cabe no bolso de todas as empresas do GAC, por meio de assinaturas mensais por usuário. No episódio, Vitor fala sobre a ideia, os aplicativos atuais já lançados, as ideias para o futuro, a empresa, o modelo de negócios, as vantagens para o mercado, as tendências para o GAC e para a tecnologia e, especialmente, sobre seu propósito com a Technology One. Ouçam com atenção as palavras de Vitor Ponce.
Episódio no Substack: https://ecdambiental.substack.com/p/episodio-267-vitor-ponce-e-a-technology
Episódio no YouTube:
Episódio no Spotify:
Na semana passada, foi ao ar o Episódio #268, da mesma série, onde conversei com Calvin Iost, da Ecbyts. Calvin é docente da Pós em GAC do SENAC já há algumas turmas, comandando um time do bloco de Dados, além de docente de outras instituições, como a PUC-Minas. Ele já esteve em outros episódios aqui, começando pelo longínquo episódio #009, onde contou a sua história, depois no #050, falando do Sistema de Dados Ambientais (que, aliás, ele retoma, de certa maneira, neste episódio) e no #113, falando sobre Inovação no GAC (que ele também retoma hoje). Neste episódio atual, Calvin fala da sua guinada na vida profissional, abandonando a Cetrel como corporação para buscar um legado, um propósito. Para isso, entrou no Programa de Doutorado na Poli/USP para desenvolver o que ele chama de “framework”, segundo ele, mais que um software, um novo modo de pensar, para uso no GAC e com outras aplicações ambientais. Esse framework será de código aberto e dependerá de “bibliotecas”, ou complementos, que serão desenvolvidas por ele próprio, dentro da Ecbyts, ou pela comunidade de usuários, como acontece, por exemplo, no QGIS. Junto com a explicação básica, Calvin fala também de uma nova perspectiva que ele vê para o GAC a partir do uso massivo e inexorável de IA, avanço da tecnologia Blockchain e das mudanças que acontecerão no nosso mercado, com a redução de oportunidades em algumas funções, como Analistas Juniores e surgimento de outros personagens como os “data owners”. Complexo, com certeza, mas este episódio vai ajudar a entender o que nos aguarda. Um spoiler: o campo vai continuar sendo fundamental e tendo demanda. Ouçam as palavras de Calvin Iost
Episódio no Substack: https://ecdambiental.substack.com/p/episodio-268-calvin-iost-e-a-ecbyts
Episódio no YouTube:
Episódio no Spotify:
Assistam também à palestra dele para a PUC Minas falando sobre IA:
Semana que vem teremos mais um episódio um pouco mais curto, técnico, direto ao ponto com minhas impressões e comentários a respeito de um tema relevante para o GAC. Desta vez falarei um pouco sobre um dos grandes temas do momento: os elementos de terras raras. A ideia é falar o que são esses elementos, qual a relevância deles para a economia mundial, como funcionam geradores e motores que usam as terras raras como parte essencial, porque são bons ímãs permanentes e, mais importante para nós do GAC: como são extraídos e processados, portanto, quais os possíveis impactos que teremos em um futuro não muito distante. Espero que vocês apreciem.
Enquanto esperam, recomendo que matem a saudade dos episódios anteriores. Ouçam, por exemplo, a playlist da Série Especial GAC para Hidrocarbonetos no link:
Também a Playlist dos episódios técnicos:
Aqui a playlist dos dinossauros do GAC:
Ouça outros episódios do Podcast Áreas Contaminadas no Spotify:
Veja também nossa página no Substack, leia por lá nossos textos e Newsletters antigas, ouça nossos podcasts e assine gratuitamente:
O Nosso Podcast Áreas Contaminadas tem o patrocínio Master da Clean Environment Brasil (www.clean.com.br), e o Patrocínio Ouro do VSOL Group (https://vsolgroup.com/home/).
Pretendemos, em breve, lançar uma nova série no Podcast, chamada Ciência no GAC, formada por episódios curtos onde eu falarei sobre alguns conceitos básicos das ciências aplicados ao nosso dia a dia. A ideia é que sejam episódios realmente curtos, vamos ver se conseguimos!!!!
Também gostaria de anunciar uma novidade muito legal aqui: durante a Conferência Battelle 2026, teremos um Enviado Especial, que vai nos mandar as notícias quentes da Conferência e alguns relatos em áudio e vídeo. Esse correspondente será ninguém menos que Paulo Negrão!!!! Ele pretende falar com as pessoas do Brasil e do exterior que lá estarão, os principais temas, mostrar os bastidores, enfim, vai fazer todo o possível para que todo mundo possa se sentir presente da famosa Battelle. Estamos ficando chiques aqui!!!Não percam!!!!
Neste ano de 2026, começamos com um novo projeto, de termos aqui na Newsletter alguns colunistas fixos, outros esporádicos, que escreverão para nós um texto de autoria própria a cada duas edições, ou seja, a cada edição, teremos uma ou duas colunas para compartilhar de Allan Umberto, Diego Silva, Jane Flor ou André Souza a quem agradeço muito pela ajuda para toda a nossa comunidade!!!
Começamos na Edição #253, com um texto muito bonito do Allan sobre suas andanças na Paraíba. Aí, tivemos na edição #254, um texto do Diego e um da Jane, ambos um pouco mais técnicos, ligados ao GAC. Na Edição #255, Allan retornou falando sobre saúde mental, na #256 tivemos um texto do Diego falando sobre João de Camargo, com muito significado para a luta do povo negro ex-escravizado e um texto da Renata Machado Lima, uma colunista esporádica, falando sobre a série da Netflix “Filhos do Chumbo”, na edição #257, tivemos a estreia de André Souza, falando sobre como está o estágio atual do GAC na China, e um texto bastante técnico do Diego, falando da taxa de decaimento de primeira ordem na Atenuação Natural Monitorada, na edição #258 tivemos um novo texto técnico do Allan, falando sobre os testes de traçadores, na edição #259, trouxemos outro texto excelente do Diego Silva sobre sua jornada com a Meditação, e o retorno do André Souza, com um texto técnico sobre o uso inadequado do SVE na mitigação dos riscos de Intrusão de Vapores finalmente, na Edição #260, tivemos um novo escrito do Allan, sobre o olhar da Geografia sobre o GAC e outro relato muito bacana do Diego, falando da história interessantíssima do DJ Patife, e sua busca pelo propósito de vida. Hoje, novamente temos um belíssimo texto do nosso colunista Diego Silva, falando sobre um canal de viagens do YouTube, enquanto faz umas reminiscências sobre sua intensa vida multiétnica na Rússia e comenta sobre a vida de pessoas comuns no Irã, muito longe da desumanização que continuamente vemos na mídia ocidental.
Enfim, vamos ver se conseguimos fazer uma espécie de “Revista do GAC” aqui na Newsletter.
Se alguém de vocês também quiser ser um colunista, fixo ou mesmo esporádico, é só me avisar que acertaremos os detalhes para isso.
Vamos à coluna especial da Edição de hoje
Vou Sem Volta
Diego Jorge da Silva
Assim como muitas pessoas, gosto muito de viajar. Assim como um grupo menor de pessoas, gosto muito de viajar para lugares mais “alternativos” e ver como as pessoas vivem em culturas diferentes da nossa. Então, sempre que possível, acabo saindo da rota mais turística e indo para lugares menos visitados para ver como pessoas “normais” vivem o seu dia a dia.
Outra coisa que gosto muito de fazer é assistir YouTube! Com certeza, na minha TV, o YouTube é o aplicativo mais acessado, e os streamings ficam em segundo plano. No ano passado, o canal que mais assisti foi o “Aviões e Música”, bastante conhecido (estava obcecado com aviões e simuladores de voo. Haha).
Neste ano, até o momento, o canal mais assistido é um chamado “Vou Sem Volta” (https://www.youtube.com/@Vousemvolta), da Larissa e do Fred, um casal muito simpático de Patos de Minas que viaja o mundo há anos e faz o tipo de viagem que eu gosto: conhecer lugares inusitados, diferentes, fora da rota.
Um dos países visitados por eles em 2023 que mais me deixou espantado foi o Irã, e você pode acompanhar todos os vídeos na playlist
Achei interessante e até espantoso como o que eles mostram nos vídeos é o total oposto do que eu imaginava sobre o Irã!
Quando morei na Rússia entre 2015 e 2016, fiz um curso preparatório para o mestrado específico para estrangeiros, algo que existe desde a época da União Soviética. Sobre esse curso, tem uma curiosidade que sempre compartilho: uma das disciplinas desse curso era “Língua Russa” (ou Русский язык, “Rússkiy yazík”), e aprendíamos russo em russo, sem passar pelo inglês ou qualquer outra língua! Até aprendi algumas palavras em árabe para me comunicar com meus amigos enquanto aprendia russo.
Mas, voltando ao assunto, fiz muitos amigos de lugares bastante inusitados: Congo (Kinshasa, ou República Democrática do Congo), Congo (Brazzaville, ou República do Congo), Sudão, Egito, Angola, Moçambique, Venezuela, Síria, Nigéria, Turcomenistão, Uzbequistão, Israel, Palestina e Líbano, por exemplo. Um outro colega, Khussein, do Iraque, fez parte do exército do Saddam Hussein (contra a sua vontade)!
Por algum motivo acabei ficando mais próximo dos sírios. Um dos amigos, Anás, era de Aleppo, uma das cidades mais antigas do mundo. De acordo com o Wikipedia, a ocupação dessa área começou em 5000 a.C.! Infelizmente, ela também foi uma das mais destruídas durante a guerra civil mais recente. Ele não conseguia falar de sua cidade natal sem se emocionar… Havia perdido amigos e familiares nesse conflito.
Outro amigo, Hussam, de Latakia, vinha de uma situação mais confortável. Ele tinha um programa na TV, mas também decidiu sair da Síria por conta da guerra e tentar a vida na Rússia. Conversamos recentemente e ele continua em Krasnodar, a cidade onde morei, e agora está casado com uma russa! Sua irmã tem planos de se mudar para o Brasil.
É muito estranho como as notícias que recebemos daqui acabam desumanizando quem está realmente sofrendo as consequências dos conflitos nesses países, a população em geral… Obviamente, essas pessoas são pessoas normais, assim como eu e você, que têm famílias, amigos, empregos, planos para o futuro, mas precisaram deixar tudo pra trás, deixar o país do qual têm muito orgulho e tentar a vida em outro lugar por conta de uma guerra que não tem nada a ver com eles.
Em Sorocaba existe um restaurante sírio chamado Suwayda (https://www.instagram.com/suwayda.arabe/), que é o nome da cidade natal do dono, o Ossama, que precisou sair da Síria pelos mesmos motivos. Nesse restaurante comi o melhor shawarma de falafel que já encontrei!
O Ossama me disse que, no ano passado, foi visitar a sua família. Ele havia planejado ficar um mês por lá, mas foi obrigado a estender a sua estadia por mais dois meses, pois sua cidade havia sido tomada por um grupo de rebeldes. Ele precisou, inclusive, lutar na linha de frente!
Uma coisa que a Larissa e o Fred falam em seus vídeos é que a população, em geral, não tem nada a ver com as decisões tomadas por seus governos e quase nunca concordam com elas, mas acabam sendo desumanizados pela mídia ocidental, incluídos em um único bloco de “pessoas indesejadas” e, no final, são os que mais sofrem as consequências.
Na verdade, ainda falando em Rússia, Krasnodar fica muito próximo da Ucrânia, e de vez em quando um drone atinge algum prédio próximo das pessoas que conheço e com quem convivi durante anos…
Já conhecia um pouco melhor as pessoas e a história de alguns países do Oriente Médio por conta desses encontros, mas ainda não havia conhecido ninguém do Irã, e só conhecia o que chega para nós através das notícias: um país distante, repressivo, fundamentalista, uma ameaça nuclear. Então, tudo isso, ainda que fosse real, justificaria bombardear uma escola cheia de crianças?
O que eu vi nos vídeos do Vou Sem Volta foi completamente diferente do que esperava. Um país lindo, com uma cultura riquíssima e muito antiga (o antigo Império Persa), e uma população extremamente amigável e receptiva. No primeiro vídeo da playlist que compartilhei, o primeiro iraniano que encontraram no caminho se transformou no guia deles e os convidou para ficar em sua casa ao invés de irem para o hotel! E essa cena se repetiu várias vezes ao longo dos vídeos.
Um hábito que achei bastante interessante e até curioso é o taarof (https://en.wikipedia.org/wiki/Taarof). No momento de pagar o táxi, o chá, o restaurante ou o tapete persa comprado no bazar, as pessoas não querem receber o dinheiro e dizem que é um presente. De acordo com eles, os iranianos só irão “ceder” depois da quarta tentativa. Esse hábito se repetiu várias vezes durante a estadia deles no Irã!
Outra coisa que achei que seria diferente era em relação à vestimenta das mulheres. Ao invés de se cobrirem por completo, em geral, a norma era cobrir apenas parte do cabelo, e algumas mulheres nem utilizavam o hijab. Essa mudança se iniciou, infelizmente, após um evento bastante triste (https://pt.wikipedia.org/wiki/Morte_de_Mahsa_Amini). A Larissa comenta que recomendaram que ela não cobrisse demais o cabelo para não ser confundida com uma pessoa muito conservadora, ou uma fundamentalista.
Também fiquei chocado ao saber que a tal da Passárgada, para onde Manuel Bandeira planejava se mudar, foi a primeira capital do Império Aquemênida, o Primeiro Império Persa, fundado no século VI a.C. Minha esposa disse que já sabia disso, então eu provavelmente estava conversando demais durante as aulas de História…
Outra curiosidade é a cidade de Abadan, um pedaço do Brasil lá no Irã. Reza a lenda que, durante a Pangeia, o Brasil e Abadan estavam conectados, mas acabaram se distanciando. De acordo com os locais que aparecem nesse vídeo específico, na verdade, o Brasil de verdade fica lá, e o que temos aqui é um pedaço de Abadan! Existem muitas bandeiras do Brasil espalhadas por lá. O que aconteceu de verdade é que, nos anos 1970, o técnico do time de futebol da cidade gostou tanto do desempenho do Brasil na Copa do Mundo daquele ano que adotou o uniforme e as estratégias da seleção brasileira. O povo gostou tanto da ideia e agora diz que é do Brasil!
Alguns dos prédios históricos mostrados nos vídeos de 2023 foram severamente destruídos pelos ataques mais recentes dos Estados Unidos, e existe a possibilidade de que algumas pessoas que apareceram nos vídeos não existam mais…
Novamente, é claro que as pessoas e o poder político de um país não são a mesma coisa. Mas o que me choca é o processo de desumanização que ocorre de forma organizada para justificar a destruição de um povo na busca do lucro, do poder, da dominação e do petróleo.
O pessoal do Vou Sem Volta visitou muitos outros países da região e de outras partes do mundo menos visitadas, como a Síria, Omã, Líbano, Iraque, leste europeu e o amado sudeste asiático! Recomendo muito acompanhar o canal.
Agradecemos muito ao Diego pelo texto de hoje!!!!
Na Sessão de dicas culturais de hoje, eu gostaria de indicar para vocês uma Série, coisa rara para mim, que não assisto a muitas séries. Mas essa é muito interessante e realmente merece uma recomendação, que é a Andor, na Disney Plus, com 2 temporadas “fechadas”, ou seja, ela realmente acaba. Andor é do Universo Star Wars, mas não me xinguem, nem parem de ler ainda!!!
Conheci Star Wars como “Guerra nas Estrelas”, no final dos anos 70, quando era criança, lembro muito bem do medo e angústia de ver que Darth Vader era o pai do Luke Skywalker no “Império Contra-Ataca” de 1979 e da catarse do final do “Retorno de Jedi” de 1983. Gostava, é claro, mas não era a minha saga preferida, eu particularmente gostava muito mais de Star Trek ou Jornada nas Estrelas, a série clássica, lançada nos anos 60, mas que assistíamos na TV nos anos 70 e 80. Aliás, George Lucas realmente deu uma “copiadazinha” no nome da famosa série. Mas é inegável que a mística e os personagens icônicos de Star Wars sobreviveram e vêm até hoje muito fortes na cultura pop.
Porém, hoje eu concordo com boa parte das pessoas que Star Wars virou, de um lado, muito comercial, de outro, muita “lutinha de espaçonaves e sabres de luz”. Mas chamo a atenção para um microcosmo dentro desse Universo: o filme sensacional Rogue One (assistam), que tem uma premissa muito legal: no 1.o Episódio de Star Wars (“Uma Nova Esperança”, o chamado “Episódio IV”), a história central se baseia em uma planta da Estrela da Morte, uma arma destruidora de planetas construída pelo “Império” (clara alusão aos regimes fascistas) que os heróis do filme, a Aliança Rebelde, devem destruir, com muita batalha de naves espaciais e efeitos especiais que fizeram a fama do filme. Rogue One, lançado em 2016, mostra a história de como a Aliança Rebelde obtém essa planta da Estrela da Morte e descobre o ponto fraco, uma espécie de “cavalo de Tróia” colocado na arma, sabe-se lá porquê e por quem (o filme explica muito bem). É um filme muito bonito, que mostra um grupo de rebeldes abnegados, idealistas, que são parte de uma resistência contra a opressão intergalática, formada por células que atuam de forma independente, com pessoas altruístas, dispostas a sacrificar a própria vida por uma causa, uma vez que a manutenção da opressão torna a vida sem sentido. A história, então, não é de lutinhas de naves, é dessa resistência, das pessoas que fazem a resistência, cumprindo uma missão um pouco kamikaze para obter a tal planta que, sabemos desde o início, é bem-sucedida, afinal, ela aparece no Episódio IV.
Mas aí chegamos finalmente à série Andor. Ela fala de um dos membros dessa equipe que tenta cumprir a missão em Rogue One, o Cassian Andor, que tem, claro, sua história individual, é um rebelde por essência, mas acaba sendo jogado um pouco por acaso no meio de uma injustiça impetrada pelo Império e, para sobreviver, acaba se conectando com uma célula organizada da resistência. A série acompanha a evolução do revolucionário Andor por muitas pequenas missões de resistência, mostra várias pequenas células que vivem na clandestinidade, redes de apoio, formação da Aliança Rebelde, agentes duplos, militantes radicais, voluntarismo, ações de desestabilização e propaganda, e praticamente nenhuma lutinha espacial ou de sabre de luz. É uma série política, de resistência, que lembra muito a resistência contra a ditadura militar brasileira, no idealismo, nas táticas dos opressores, nas estratégias e táticas dos grupos rebeldes, até nos desentendimentos entre os grupos de resistência.
Então, recomendo a série Andor, que é do Universo Star Wars, mas não é propriamente uma história de lutas de sabre de luz e naves espaciais, é uma história de resistência contra a opressão e tentativa de libertação da classe trabalhadora. Disponível oficialmente na Disney Plus e em links alternativos.
Vamos agora às principais notícias da quinzena:
Recebi essa semana, como sempre, algumas contribuições muito legais de: Manoel Riyis Gomes, Fabiano Rodrigues, Lucas Venciguerra, Ariane Rodrigues, Sergio Pereira, André Souza e Ivandra Mattos. Obrigado, pessoal!!! Fico orgulhoso de ter, ainda na nossa 7ª temporada, tanta gente boa contribuindo com nosso “espalhamento” aqui. Quem identificar erros ou falhas, ou quem tiver dicas, críticas, sugestões para dar, por favor, me mande, para rechearmos esse espaço com as ideias de vocês.
- Recebi, na última quinzena, algumas vagas de emprego para divulgar: Oxi Ambiental (Analista Pleno), Arcadis (Analista de Inovação, Analista Pleno e Estágio), WSP (Analista 3), Kopf (Analista), Ambsolution (Analista Pleno). Soube também de outras vagas não anunciadas, se você é um profissional da área, recomendo que entre no site da AESAS e entre em contato diretamente com as empresas associadas (www.aesas.com.br). As vagas que recebo ou vejo, compartilho imediatamente no nosso Canal do Telegram (https://t.me/areascontaminadas).
- Um aviso muito importante, que já está um pouco atrasado: estão abertas as inscrições para o Processo Seletivo da 27.a turma (!!!!!!) da Pós-Graduação em Gerenciamento de Áreas Contaminadas do SENAC, coordenada pelo grande Rodrigo Cunha, que, na minha opinião é, disparado, o curso mais importante e relevante do GAC brasileiro e, segundo dizem meus amigos no exterior, é o mais relevante do GAC mundial, pois não há um curso desse nível, com essa profundidade, nem nos EUA, o berço do GAC. Eu mesmo fui aluno da 3.a turma desse curso, assim como muita gente boa do nosso mercado e, assim como aconteceu com tantas pessoas, o curso transformou a minha carreira. Essa Pós tem duração de 3 semestres, portanto 1 ano e meio, com aulas aos sábados o dia inteiro. Parte dessas aulas é presencial, parte é online. Das presenciais, uma parte importante é de aulas práticas, de campo e “de escritório”, o que talvez seja o grande diferencial do curso. Coincidentemente, no sábado passado, tivemos uma das aulas mais impactantes do curso para a turma GAC26, uma aula prática sobre amostragem de solo e instalação de poços de monitoramento, e mais uma vez pudemos ter a noção da importância dessa aula e deste curso para o crescimento técnico do nosso GAC. Enfim, se você tiver interesse, entre no site e se inscreva no processo seletivo. Nos vemos no SENAC em agosto!!!!
https://www.sp.senac.br/pos-graduacao/pos-em-gerenciamento-de-areas-contaminadas
- Outro aviso muito importante é que está aberta a chamada de trabalhos para o Número 3 da Revista GAC. O prazo limite para envio dos artigos é dia 31/08/2026. Não preciso repetir aqui a importância dessa revista para a produção e divulgação de conhecimento da nossa área, certo? Os trabalhos das edições normais (A Edição 1 e essa Edição 3) são “duplo-cegos”, ou seja, os avaliadores não sabem quem enviou os artigos e quem enviou não sabe quem avaliou. Se você tem uma ideia, um trabalho bacana, ou texto pré-preparado, considere submeter seu artigo à Revista GAC. Informações no link abaixo:
https://www.aesas.com.br/so/7cPuYkX-k?languageTag=en
Normas e formulário de submissão: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScvgP03BExh-Rsh6xcgJys5thIpVKkZD_AOQ2FiX99XDVNyeg/viewform
- Ivandra Mattos nos indicou uma notícia muito importante para quem trabalha no dia a dia do GAC: a publicação das novas Planilhas de Avaliação de Risco CETESB (Versão 4.00), que foi publicada em 04/05/2026, com algumas pequenas mudanças e a inclusão do Manual do Usuário. De acordo com a página da Cetesb, a versão 4.00 das planilhas é baseada na atualização de novembro de 2024 dos “Regional Screening Levels – RSLs” da EPA, contemplando bancos de dados com informações sobre as propriedades físicas, químicas e toxicológicas de 878 substâncias (a lista de valores orientadores da Cetesb tem cerca de 90 SQIs). Uma observação, que não muda muito na prática, mas conceitualmente solidifica a questão das faixas do TPH: para as faixas de TPH definidas, foram considerados somente os efeitos não carcinogênicos das SQIs utilizadas para representar a faixa, pois as SQIs com efeitos carcinogênicos que são englobadas em determinada faixa, em sua maioria, podem ser avaliadas individualmente. Por exemplo, para a Faixa C10-C32 aromáticos, o composto representativo da faixa selecionado foi o benzo(a)pireno. Para calcular os riscos associados a essa faixa de TPH, foram considerados somente o RfD/RfC (parâmetros associados ao risco não carcinogênico) definido para o benzo(a)pireno. A eventual adoção do SFo/IUR (parâmetros associados ao risco carcinogênicos) do benzo(a)pireno para toda a faixa, tornaria a avaliação de risco excessivamente restritiva. Dessa forma, ao utilizar as Planilhas da CETESB, uma vez que o modelo conceitual inclua os hidrocarbonetos totais de petróleo como SQIs, é necessário que os constituintes químicos individuais relacionados a hidrocarbonetos de petróleo identificados nas etapas anteriores acima do valor de intervenção também sejam avaliadas como SQIs. Além disso, deve-se considerar a avaliação das faixas de TPH definidas quando houver incertezas sobre a presença de outros hidrocarbonetos não identificados individualmente, mas que podem estar presentes por conta de resultados elevados de TPH total. Sobre outras substâncias químicas, as Planilhas da CETESB versão 4.00 não calculam os riscos nem as CMAs para o chumbo inorgânico em razão da EPA não ter adotado um valor de dose de referência. Os coeficientes de distribuição solo-água (Kd) adotados para níquel, cromo VI, cobre, cádmio, cobalto, zinco, chumbo e selênio referem-se a valores específicos determinados em estudos realizados no estado de SP. Para o mercúrio, foi adotado valor médio calculado a partir dos valores determinados em estudo desenvolvido para solos paraenses, eliminando-se desses cálculos os solos que não ocorrem no estado de São Paulo e os valores fora da curva (outliers). Para cromo III, cromo total, prata, tálio, arsênio, bário e berílio, adotaram-se os Kds para o pH de 5,5. Leiam a nota da Cetesb, baixem as novas planilhas e o manual do usuário.
- Semana passada falamos sobre o trabalho publicado por Daphne Pino e colaboradores, que fala dos aquíferos da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e dos poços tubulares profundos. Um dos dados é que cerca de 18% de toda a água consumida na RMSP é subterrânea, e que eles estimam em 2/3 os poços não cadastrados. Nesta semana, Sergio Ogihara, no LinkedIn, recomendou essa reportagem muito legal do Jornal da Cultura sobre esse tema.
- Muito boa dica de André Souza, ele indica um site que mostra um mapa detalhado dos EUA com os níveis de água. Imaginem algo assim, por exemplo, para o estado de SP.
https://environment.princeton.edu/news/detailed-map-reveals-groundwater-levels-across-the-u-s/
- Aproveitando o podcast com o Calvin, que falou, entre muitas outras coisas, sobre o uso cada vez maior das IAs no mundo do trabalho, me deparei com uma notícia absurda sobre esse tema que conversa com o que ele falou e com o que trouxemos aqui há algum tempo, com dois canais de desenvolvedores falando (mal) do uso da IA como instrumento do capital para reduzir a dependência dele da mão de obra da força produtiva central no nosso mundo, que é o trabalho. O capital acredita que superará a contradição essencial do capitalismo substituindo o trabalho pela “técnica”, no caso, as IAs. Enfim, a notícia fala do conceito de Tokenmaxxing, tendência corporativa, surgida no Vale do Silício, em que o uso de Inteligência Artificial é medido pela quantidade de tokens (palavras ou pedaços de palavras processados) que um funcionário consome. Essa métrica passou a ser usada por empresas para ranquear o desempenho e a produtividade dos trabalhadores, quanto mais IAs usarem, maior seria a “produtividade” do trabalhador, ou seja, esse trabalhador está ajudando a empresa a substituí-lo pela IA. A ideia principal é que, como as ferramentas de IA cobram pelo volume de processamento, gastar muitos tokens seria um indicativo direto de que o profissional está utilizando a tecnologia para delegar tarefas e produzir mais. Empresas de tecnologia chegaram a criar rankings internos que medem o consumo de IA de dezenas de milhares de funcionários, premiando os maiores “gastadores de tokens” com títulos simbólicos. A prática tem sido incentivada por parte da liderança, que associa o alto consumo ao engajamento e à produtividade, sendo mais visível em nichos especializados, como entre engenheiros e profissionais da área de tecnologia. Em alguns ambientes corporativos, o consumo de ferramentas de IA passou a ser observado como um sinal de engajamento ou produtividade, ainda que de forma informal. Isso reforça a lógica de competição e amplia a pressão por uso constante. Denise Milk, psicóloga especialista em saúde mental no trabalho, identifica no tokenmaxxing um padrão que vai além da produtividade e pode comprometer o trabalhador. A possibilidade de produzir mais em menos tempo com ajuda da IA tende a elevar a pressão interna por desempenho. A tecnologia altera a referência subjetiva do que passa a ser considerado entrega adequada. O que antes era visto como bom desempenho pode rapidamente virar o novo mínimo esperado — aponta Denise. Quando isso acontece, o ganho de produtividade deixa de ser um recurso de apoio e passa a ser incorporado como uma obrigação silenciosa.
- Ainda nesse tema, uma notícia preocupante que relaciona IA e ciência. Com as regras “mercadológicas” de produção científica (publish ou perish), que estimulam a publicação pela publicação, para aumentar os índices e isso, a IA faz muito rápido. O problema aumenta quando as IAs avaliam os papers feitos por IAs e são lidos também pelas IAs para darem “respostas” que outras IAs pedem. Impressionante. Fora os pequenos “truques” de colocar instruções (prompts) ocultos para serem lidos pelas IAs avaliadoras e favorecer o “autor”. Pois bem, recentemente a DW Brasil divulgou, no Instagram, uma pesquisa que fala sobre isso e “levanta a lebre”: Em 2024, a pesquisadora Almira Osmanovic Thunström decidiu “testar uma coisinha”: Com seu time na Universidade de Gotemburgo, na Suécia, ela criou uma doença inventada, chamada bixonimania. Produziu dois estudos falsos descrevendo a condição. E publicou em um servidor de preprints, no formato de artigo científico, assinado por um pesquisador fictício, cuja fotografia também foi criada usando IA, que trabalhava numa universidade que não existe em uma cidade igualmente falsa. Os pesquisadores até anexaram imagens da doença, também produzidas por IA, claro. O objetivo era entender se os Modelos de Linguagem de Larga Escala (LLM) usariam esses artigos falsos como base para respostas. E o resultado foi surpreendente ou não): bastaram algumas semanas para usuários começarem a receber desses chatbots o diagnóstico de bixonimania, descrita pelo Gemini como “uma condição causada por excesso de luz azul”. Mas não foi só o Gemini. O ChatGPT, Copilot e Perplexity também caíram na pegadinha. Mas o pior foi que os artigos falsos do experimento começaram a ser citados em estudos revisados por pares publicados em revistas científicas sérias, como a Cureus, da mesma editora da Nature, apesar dos pesquisadores terem escrito na publicação que “esse estudo inteiro foi inventado”, que os voluntários eram “indivíduos inventados”, e inserido outras informações propositalmente absurdas, como um agradecimento a uma professora da Academia da Frota Estelar e um aviso de que os artigos tinham sido financiados pela Universidade da Sociedade do Anel e da Tríade Galáctica. Tanto os artigos falsos como aquele que cita os artigos falsos foram despublicados. Mas não tem como apagar o efeito do experimento. Será que acontece esse tipo de coisa no GAC? Imaginem se a IA começar a escrever relatórios e os órgãos ambientais começarem a usar IA para analisar relatórios…
- Com esse tipo de notícia, geralmente críticas ao uso massivo da IA e críticas à panaceia desse uso, como “salvação do planeta” que trazemos aqui, muitas vezes, alguns nos consideram “ludistas”, que o senso comum consideram “atrasados destruidores de máquinas”, que eram “contra o desenvolvimento tecnológico”. Como diz a Wikipédia, ao longo do tempo, prevaleceu o entendimento do termo ‘ludismo’ como um movimento de reação ao progresso técnico — a industrialização, a mecanização, a automação e a novas tecnologias em geral. Mas é fundamental lembrar que os ludistas não eram contra o desenvolvimento tecnológico em si, mas contra as péssimas condições de trabalho nas fábricas e minas do Reino Unido, que as máquinas exacerbavam para que os donos dos meios de produção acumulassem mais capital às custas do suor, sangue, lágrimas e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. Segundo Eric Hobsbawn, a ideia era destruir as máquinas para pressionar os empregadores nas negociações, prática tradicional entre os mineiros de carvão, que chegavam a recorrer à demolição para pressionar os patrões. Durante os primórdios da Revolução Industrial, não havia limite de jornada ou proteção aos operários. Trabalhadores escoceses e ingleses enfrentavam jornadas exaustivas de até 16 horas, trabalho infantil, ambientes insalubres e a perda de poder de negociação. Algumas das reivindicações incluíam “simplesmente” a implementação de um salário mínimo, fim do trabalho infantil, a obrigatoriedade do cumprimento de normas trabalhistas mínimas por parte das empresas e impostos que permitissem a criação de fundos para as aposentadorias dos trabalhadores. Para os ricos donos de fábricas, essas tentativas de negociação se mostraram infrutíferas e iriam “inviabilizar os negócios”. Ou seja, desde o início do capitalismo, os donos dos meios de produção tentam, eles sim, inviabilizar qualquer arremedo de conquista trabalhista. Vejam, para conseguir salário mínimo, FGTS e leis trabalhistas, os ludistas tiveram que quebrar máquinas e serem presos e condenados (alguns à morte). Inicialmente, a resposta do governo britânico foi a promulgação da Lei de Proteção das Máquinas de Tecelagem em 1788, que essencialmente aumentou as penalidades para a destruição de equipamentos. Em abril de 1812, alguns luditas foram mortos a tiros em uma fábrica perto de Huddersfield, Yorkshire. O exército, na ofensiva, começou a prender os luditas, transportando grandes grupos para serem enforcados ou levados para a Austrália para cumprirem suas penas. A dura repressão, que resultou em prisão, morte ou exílio para outros países, foi suficiente para suprimir as ações do grupo. As Combination Acts foram revogadas somente em 1824, permitindo a formação dos primeiros sindicatos. As primeiras leis concretas limitaram o trabalho infantil e a jornada de trabalho, como a Lei das Fábricas (Factory Act), começou a ser desenhada a partir de 1833. O nome ludismo vem de um personagem lendário, chamado Ned Ludd, originalmente um aprendiz em Leicestershire, Inglaterra. Avesso ao regime de trabalho nas máquinas de tecelagem, foi condenado a chicotadas sob alegação de não demonstrar empenho. Em resposta, Ned Ludd destruiu com um martelo a máquina em que trabalhava. O movimento ludista assinavam seus manifestos como “General Ned Ludd” ou similares, atribuindo à Ned características heróicas, como Robin Hood. Ludista, portanto não é somente um idiota que não reconhece os avanços, mas aquele que é contra a exploração dos trabalhadores e trabalhadoras (e do meio ambiente) com o objetivo exclusivo de aumentar seu lucro, e que se revolta contra isso.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ludismo
https://www.historic-uk.com/HistoryUK/HistoryofBritain/The-Luddites/
- Uma pessoa que trabalha no órgão ambiental do Paraná nos indicou uma notícia muito interessante, ligada ao nosso GAC com reflexos importantes na vida das pessoas: Prefeitura de Foz do Iguaçu altera local de Hospital Regional por risco de contaminação no solo devido a décadas de descarte de óleo e outros derivados de petróleo do antigo Departamento Rodoviário Municipal (DRM). O secretário municipal de Planejamento e Urbanismo disse que “Existe uma manifestação do IAP dando a viabilidade ambiental daquele imóvel. Mas a viabilidade ambiental significa que, do ponto de vista de árvores, drenagem e APP, não há óbice para implantação. Isso não impede a necessidade do licenciamento ambiental da obra”. Em outras palavras, é preciso fazer o GAC dessa área antes de construir alguma coisa, especialmente um hospital.
- Vejam que notícia interessante: A Petrobras teve lucro líquido de US$ 6,25 bilhões (R$ 31,33 bilhões) no primeiro trimestre de 2026, superando Shell e Exxon Mobil e registrando o maior resultado entre as grandes petroleiras globais no período. Recordes de produção no pré-sal elevaram o volume total de óleo extraído. A companhia alcançou a marca histórica de 3,23 milhões de boed (barris de óleo equivalente por dia) em produção própria, sendo 2,66 milhões de boed vindos exclusivamente da camada pré-sal. Com resultados positivos, a Petrobras aprovou repasse de R$ 9 bilhões aos acionistas. De certa forma é algo esperado, tanto pelo aumento da produção e da eficiência na produção quanto pelo aumento dos preços internacionais. Agora, com tudo isso de lucro, será que não seria possível reduzir o preço dos combustíveis aqui no Brasil? Se sugerirmos isso, o “mercado” tem um troço, onde já se viu deixar de ter essa distribuição de 9 bilhões em dividendos “só” para manter os preços “artificialmente” baixos?
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/05/20/petrobras-tem-maior-lucro-global.ghtm
- As notícias sobre terras raras vão aumentando à medida que o tempo vai passando, quase sempre com balões de ensaio ou notícias do mundo dos negócios que preveem grandes somas, mas nem sempre como parte de um projeto nacional, de transferência de tecnologia, ou mesmo de geração de valor aqui no Brasil. Uma delas saiu no UOL, na sua parte dedicada aos private equity, ou “grandes negócios”: Na corrida global por terras raras, a australiana Meteoric Resources avança para colocar em pé no Brasil sua mina de US$ 440 milhões (cerca de R$ 2,16 bilhões) em Caldas (MG). A empresa fechou contratos antecipados de exportação e negociou financiamentos com o BNDES, entre outras instituições. O Projeto Caldeira pretende explorar a mina, rica em terras raras importantes, como neodímio e praseodímio (ímãs permanentes), disprósio e térbio (indústria de defesa e equipamentos de alta perfomance). A empresa tem licenças para explorar 18 mil hectares em Caldas, Poços de Caldas e Andradas. O plano é iniciar em 2028 a produção em larga escala de uma mistura concentrada de elementos conhecida como carbonato misto de terras raras: material intermediário usado pela indústria. É uma etapa relativamente simples do processo completo, que envolve a mineração tradicional: desmonte, britagem, peneiramento e operações unitárias simples, como “lavagem” com sulfato de amônio e flotação, para “concentrar” os óxidos com os elementos de terras raras ainda misturados. É uma etapa de baixo valor. Obviamente não é como vender a matéria-prima, mas é uma fase de baixo valor agregado, seria como vender o minério de ferro, ao invés do aço. A empresa já fechou 2 contratos, antes de começar a operar: Um dos contratos foi com a canadense Ucore Rare Metals, que desenvolve uma planta de separação de terras raras na Louisiana, nos Estados Unidos. O outro foi com a Neo Performance Materials, na Estônia, para produzir super-ímãs.Apesar do potencial brasileiro para suprir uma demanda global, apenas uma empresa conseguiu colocar sua mina de terras raras em operação em escala comercial: a Serra Verde, recém-adquirida pela americana USA Rare Earth (USAR). Ela iniciou as pesquisas geológicas há 17 anos e entrou em operação há 2 anos.
- Falando sobre Serra Verde, anunciado no fim de abril deste ano, o negócio de R$ 14 bilhões (US$ 2,8 bilhões) prevê a aquisição do controle da mineradora brasileira pela companhia USA Rare Earth, dos EUA. Pelo pouco que se sabe da transação, 100% da produção mineral será destinada aos EUA. Isso levaria a um fechamento do mercado de terras raras e o Brasil não teria acesso ao minério produzido no país pela empresa.
Existe ainda dúvida em relação à possibilidade de o próprio governo dos EUA, eventualmente, assumir o controle da Serra Verde. A mina da Serra Verde está localizada em Goiás e o governador Ronaldo Caiado (PSD) firmou uma parceria estratégica de cooperação com os EUA, e a compra está sendo investigada pelo CADE.
- Ainda sobre esse tema, sobre o qual estou preparando um episódio para a semana que vem, André Souza indicou 3 links muito interessantes:
O primeiro não é exatamente sobre terras raras, mas é uma notícia que o governo argentino liberou a exploração mineral nas geleiras, que eram áreas protegidas, com a ideia de “atrair investimentos em mineração”, declarando “os ambientalistas dedicados a impedir o progresso da Argentina perderam novamente”. Sem surpresa, em consonância com o ideário neoliberal que ele representa e com a Doutrina Trump batizada de “drill, baby, drill”
O segundo é um texto que fala sobre a articulação entre as mineradoras dos EUA, o próprio Governo Trump, entidades representativas das grandes mineradoras: o Ibram, Instituto Brasileiro de Mineração, e a AMC, Associação de Minerais Críticos, ambas de composição majoritariamente estrangeira; a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil; os grandes meios de comunicação do Brasil (Folha, Valor Econômico,…); e parlamentares simpáticos às demandas das grandes empresas de mineração, que defendem o PL relatado por Arnaldo Jardim (o mesmo do PL das Áreas Contaminadas). De outro lado, setores recomendam a criação de uma estatal (Terrabras), ou a garantia de monopólio, por exemplo, para a Petrobras, de modo a garantir a soberania estratégica desses recursos para o Estado Brasileiro, não para as empresas privadas e governos estrangeiros.
https://www.cartacapital.com.br/economia/terrabras-e-as-ideias-verdadeiramente-fora-de-lugar/
Em terceiro, outro texto que apoia o controle estatal sobre esses recursos, com controle público sobre o que vai ser feito, inclusive sem a criação das “zonas de exclusão”, onde uma parte da população acaba arcando com mais custos ambientais.
https://outraspalavras.net/crise-brasileira/terras-raras-o-brasil-e-a-vocacao-colonial/
- Mais uma notícia impactante que aumentará a nossa “ansiedade ambiental”: O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC/NOAA) elevou o status para “alerta de El Niño” e afirmou haver 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026 e 96% de probabilidade de ele persistir até o inverno do hemisfério norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Ao mesmo tempo, modelos meteorológicos internacionais passaram a indicar um cenário de aquecimento cada vez mais intenso no Pacífico tropical. Segundo análise da Climatempo, “tudo indica que o El Niño que entrará em ação, em breve, deve ser no mínimo forte”. O coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, José Marengo, afirmou à BBC News Brasil que ainda há muita incerteza sobre a intensidade que o fenômeno poderá atingir. “Neste momento, o que podemos dizer é que o El Niño está se configurando, sim, e que esperamos talvez uma intensidade moderada a forte. Mas ainda é muito cedo para afirmar que será um super El Niño ou o pior do século”. Historicamente, eventos de El Niño costumam provocar aumento das chuvas no Sul do Brasil e condições mais secas e quentes no Norte e Nordeste. Isso pode elevar o risco tanto de fortes enchentes no sul quanto de estiagens importantes no Cerrado, Amazônia e Sudeste. Indo para o nosso pequeno mundinho do GAC, secas importantes costumam baixar o nível de água, favorecendo o trapeamento de LNAPL, por exemplo. Mudanças importantes nos esperam nos próximos tempos.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyp5v7ykk4o
- Dica muito interessante e impactante de Sergio Pereira: A bancada ruralista fez uma manobra e aprovou na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (20/05) um projeto de lei que reduz em 486 mil hectares a Floresta Nacional do Jamanxim, na Amazônia. Isso equivale a quase 40% da sua área total. A medida deve beneficiar fazendeiros e contém brecha para regularizar grilagem e mineração. A mobilização faz parte de uma ofensiva do grupo, o mais forte no Congresso Nacional, em prol de temas que interessam ao setor, como um pacote econômico e um projeto que permite que o Ministério da Agricultura vete a classificação de espécies em risco de extinção. No mesmo dia, o grupo aprovou uma proposta que barra fiscalizações do Ibama. Na prática, a proposta pode fazer com que proprietários, que utilizavam irregularmente a área da floresta nacional, possam conseguir autorização para suas atividades. O texto ainda tem um dispositivo que permite a realização de “atividades minerárias” dentro do território da floresta. A boiada passando no Congresso.
- Hoje teremos também a volta da Sessão Ariane Rodrigues, que nos indicou algumas notícias muito interessantes. É sempre bom contar com a perspicácia da Ariane na seleção das notícias e agradeço muito pela boa vontade em nos ajudar. Aí vão as dicas dela:
- A primeira é sobre esse polêmico caso do submarino nazista afundado no final da Segunda Guerra Mundial na costa da Noruega, “recheado” de mercúrio (cerca de 65 toneladas). E com o passar das décadas, sua estrutura foi corroída e começou a liberar esse metal no fundo do mar. O dilema principal é decidir entre remover completamente o submarino ou apenas isolá-lo no fundo do mar, porém o mesmo continua por lá. Segue o link da matéria: https://www.dw.com/pt-br/submarino-nazista-naufragado-vira-amea%C3%A7a-ambiental/a-76693883
- A segunda e a terceira são divulgações de eventos:
A WST vai ministrar um curso online e gratuito sobre Modelagem Hidrogeológica Conceitual e Numérica. “A modelagem hidrogeológica é uma ferramenta essencial para compreender sistemas aquíferos, apoiar estudos ambientais e subsidiar decisões em projetos de mineração, recursos hídricos e gestão ambiental.” O curso será no dia 29/05. Segue divulgação: https://www.linkedin.com/posts/lara-lange-a476ab125_hidrogeologia-modelagemhidrogeolaejgica-recursoshaeddricos-share-7459954552465793024-gjLC/
Nos dias 18, 19 e 20 de maio acontecerá o Pint of Science – Um Brinde à Ciência, um evento repleto de conteúdo que busca aproximar a ciência da sociedade de forma descontraída e acessível. Envio aqui o link do evento:
https://www.pintofscience.com.br/
e separei alguns que acontecerão na cidade de São Paulo, sendo um deles em especial sobre o Racismo Ambiental, tema esse pontuado em vários textos por aqui. Segue link também:
- Para finalizar, um vídeo no Ex-Twitter que mostra uma médica falando das formas “pouco ortodoxas” que os pacientes tomam suas medicações. A mãe que levou o filho com infecção do ouvido que não sarava. Ao ser perguntada: “ele está tomando o antibiótico corretamente?”, ela respondeu “tomando? Achei que era para pingar no ouvido”. Outro senhor, com diabetes, resolve macerar o comprimido para tomar com um copo d’água. Como é muito amargo, ele coloca uma colher de açúcar na água, o que piora a glicemia. Engraçado, sem dúvida, mas a lição é que não se pode perguntar se estão tomando o remédio certinho, mas sim, “como estão tomando a medicação”. O mesmo princípio deve ser usado em muitas outras atividades, como no GAC. Quantas vezes perguntamos: “a topografia foi feita certinha?” e, quando vamos verificar, as cotas dos poços foram tomadas cada uma em um referencial. Ou “fez a amostragem de solo?”, e aí vocês imaginam como foi feita, certo? Muitas vezes, do alto da nossa arrogância (médicos, engenheiros, gestores de projetos), nós esquecemos que, do outro lado, tem pessoas com diferentes vivências, experiências, modos de pensar e que estamos fazendo o trabalho para ajudar essas pessoas. São histórias engraçadas, mas que, espero, nos façam refletir sobre os nossos papéis.
Amigas e amigos, muito obrigado pela leitura!!!! A sua leitura nos honra muito porque faz nossas palavras chegarem mais longe!!!! Paulo Freire dizia que ensinar não é transferir conteúdo, mas criar possibilidades para que o aluno se eduque. Embora no “mundo digital” parece que estamos criando, transmitindo e consumindo conteúdo, eu acredito, pelas mensagens que recebo, que estamos, realmente, criando possibilidades. Que assim seja por muito mais tempo!!!
Gostaria de relembrar que nós temos há 5 anos uma campanha de financiamento coletivo na plataforma “Apoia.Se”, que nos ajuda muito!!! Essa campanha é muito importante pra gente, pois ela nos ajuda a manter gratuitos os nossos canais de divulgação científica como essa Newsletter e o Podcast Áreas Contaminadas, ao mesmo tempo que nos dá o recado que somos relevantes e importantes o suficiente a ponto da pessoa se comprometer a contribuir com uma iniciativa que não vai recompensá-las diretamente, mas sim tentar construir coletivamente um GAC mais forte, mais coeso, mais tecnicamente preparado e, com isso, contribuir para uma sociedade melhor e mais justa. A campanha está no site http://apoia.se/ecdambiental
É simples e rápido, você faz um login na plataforma e escolhe como fazer esse pagamento, com boleto, cartão, etc. Mensalmente o Apoia.se faz essa cobrança; se for por boleto, a plataforma te envia os boletos mensalmente, se for no cartão, ela te cobra mensalmente na fatura o valor escolhido.
Aproveitando, agradeço aos atuais 47 apoiadores e apoiadoras, principais responsáveis pela manutenção dos nossos canais de divulgação gratuitos. Sem a ajuda deles, dificilmente seria possível dedicar todo esse tempo à pesquisa, produção e o desenvolvimento do material gratuito do podcast e dessa Newsletter. Muito obrigado a vocês, especialmente porque é uma forma muito carinhosa de vocês nos darem força e nos dizerem para continuar. Então, continuaremos ao lado de 101 pessoas que em algum momento participaram dessa campanha, especialmente das 47 atuais apoiadoras e apoiadores financeiros. Resistiremos com a maravilhosa companhia de vocês!!!
Nossos atuais apoiadores e apoiadoras são:
Ábila de Moraes, Alison Dourado, Allan Umberto, Álvaro Guerra, Ariane Rodrigues, Augusto Amável, Beatriz Lukasak, Bruna Fiscuk, Bruno Balthazar, Bruno Bezerra, Carlos Marteleto, Carlos Tolentino, Claudia Deckers, Cristina Maluf, Diego Silva, Fabiano Rodrigues, Fabio Mathias Fabbris, Filipe Ferreira, Giselle Alvarado, Heraldo Giacheti, Hermano Fernandes, Igeológico, José Gustavo Macedo, Juliana Mantovani, Julio Costa, Leandro Freitas, Lilian Puerta, Luana Fernandes, Luiz Ferreira, Marcelo Silva, Marina Fernandes, Nádia Hoffman, Rafael Sousa, Renata Machado Lima, Rodrigo Alves, Rodrigo Gaudie-Ley, Silvio Almeida, Sueli Almeida, Tamara Dias, Tatiana Sitolini, Tatianne Grilleni, Tiago Soares, Willem Takiya, e mais 6 apoiadores anônimos.
Os canais mantidos pelos Estúdios ECD, como o Canal Áreas Contaminadas do Telegram, o Canal ECD Training no Youtube, a página (Newsletter, Notas e Podcast) no Substack, o perfil @ecdambiental no Instagram, o site (www.ecdambiental.com.br), o Podcast Áreas Contaminadas (no Spotify, YouTube, Apple Podcasts, Google Podcasts e agregadores), o Podcast Screening de Notícias (quinzenal, nos mesmos canais) e, claro, essa Newsletter, pretendem dar poder a vocês, não um poder excludente, individual, mas um poder cooperativo, coletivo, solidário, trans-formador, de vencer COM o outro, que cria laços e reparte conquistas. Um poder pelo conhecimento!!!
Tentamos fazer isso trazendo informações, dicas, conteúdos, textos, novidades e notícias sobre Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), mas não só sobre isso, também sobre meio ambiente, ambientalismo, economia, saúde, filmes, livros, músicas e teorias para adiar o fim da humanidade, sempre com comentários e com pitadas do nosso olhar sobre essas informações.
Desde o início de 2025 estamos com essa Newsletter quinzenal, focando em comentários um pouco mais longos e detalhados. Intercalando os domingos com ela, também quinzenalmente, estamos tentando fazer o Screening de Notícias, com as principais notícias específicas do GAC. Então, a cada 2 semanas, teremos a Newsletter, com notícias do GAC, de meio ambiente, ambientalismo, ciência, tecnologia, economia e outras coisas, tudo isso com comentários um pouco mais aprofundados. E, também a cada 2 semanas (irregularmente), a ideia é termos o Screening de Notícias, exclusivamente com notícias do GAC.
Se por acaso alguém não quiser mais receber as minhas mensagens, é só responder esse e-mail com o texto REMOVER
Até daqui a 2 semanas!!!!!
Marcos Tanaka Riyis

